Da carne vermelha ou "a culpa é da mãe"

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Minha vida de apreciadora de carne vermelha é relativamente recente. Aos oito anos, minha mãe cismou com os bois e porquinhos e resolveu que não iríamos mais comê-los. Na nossa casa, só podia entrar peixe, frango, ovo (todos com muita moderação) e a pavorosa proteína de soja. Eram tempos difíceis – a soja não era essa delícia que a gente vê hoje. Parecia bastante com comida de cachorro (que, por sinal, também não era nenhuma Royal Canin).

Essa existência sem carne vermelha durou bastante tempo. Conseguir uma escapadela para comer um Big Mac era complicadíssimo. Naquele tempo, minha mãe era bem radical com essa história de alimentação. Comer carne vermelha era grave ofensa pessoal – pior do que isso, só cuspir na feijoada de glúten. Então, tudo tinha de ser feito no maior segredo. Só que eu, fraca que sou na arte de mentir, acabava ficando com aquela cara de “comi Big Mac” bem na frente dela. Nem preciso dizer quantas semanas eu passava levando olhares tortos até que a mágoa passasse.

O boi só voltou à minha mesa declaradamente quando eu comecei a trabalhar - isto é, quando eu comecei a pagar para comer o que eu quisesse. E, como ritual de libertação da opressão, almocei no Mc Donald's todos os dias nas três primeiras semanas do primeiro emprego. Hoje eu não gosto muito do Big Mac. Prefiro um Quarterão.

Bom, mas por que toda essa retrospectiva? Foi para dizer que eu não tive muito tempo de convivência com a carne durante a minha tenra idade. Foi só depois de casada que a vi entrando na minha geladeira. Por isso, falta-nos aquela intimidade que eu tenho com o molho de tomate, por exemplo.

Outro dia – domingo, mais precisamente - descobri o músculo bovino. Sempre ouvia falar dele como a carne da sopa. De cara, achei bonitinho, rajado, um charme. Qual não foi a minha surpresa quando vi que aquelas listras branquinhas viravam uma gordurona gelatinosa. E vai tirar as diabas das gorduras da carne! Um trabalho louco. Fiquei com raiva. Na minha ingênua cabecinha, músculo deveria ter só músculo – ou seja, ser carne pura, sem gordura.

Resumo da ópera: O sabor do músculo até que é bom, mas a gordura é um saco de eliminar. E se você não a tira, ela dá uma textura meio nhé na hora de mastigar. Na minha sopa, essa carne não entra mais.

2 comentários:

Karina Frabetti disse...

hahahahhaaa
Lê, apesar de parecer nojento é super saboroso, deixa esse preconceito de lado e tenta mais uma vez. Faz assim ó: refoga uma cebola picada numa panela de pressão e joga o bichinho, depois de dourar, acrescenta um tomat e picado e uma lata de cerveja preta, se não tiver vai a comum mesmo, deixa na pressão por 45 min e pronto, aqui em casa é satisfação garantida, serve com um arrozinho branco e uma saladinha.
bjs flor

Karina Frabetti disse...

ah, tem q temperar com sal e pimenta também

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