Pães corados de vergonha

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Ah, a caprichosa língua portuguesa... no natal, ganhei um livro de pães incrível. Escrito em português de Portugal, ele tem receitas para diversas ocasiões – lanches, almoços, jantares...

Caí de amores por uma receita de pão com colorau. Além de simples (o que é uma beleza, diante das minhas parcas habilidades), parecia muito apetitosa.

Comprei um pacotinho de colorau, separei os ingredientes e mãos à obra. Ou melhor, mãos a OPA.
- “Opa, esse colorau tem textura diferente do que aparece na foto do livro”
- “Opa, a massa está ficando cor-de-rosa”
- “Opa, depois de assados, os pães ficaram alaranjados, diferentes dos que aparecem no livro”

Só então atentei para a dura verdade da língua: o que chamamos de colorau no Brasil é diferente do colorau de Portugal. O daqui é o pozinho do urucum. O de lá é a páprica – ‘taí a Neide, que não me deixa mentir.

Em outras palavras, pessoas, eu ainda não estreei nenhuma receita do meu livro novo (gente, como eu sou deprê – pior é que eu ainda conto para vocês)! De qualquer forma, fiz uns pães alaranjados gostosinhos. Bons para comer com manteiga ou cream cheese depois de um vexame desses.

Pão com colorau
Adaptado do livro Pão & Cª, de Piergiorgio Giorilli.

Ingredientes:

1 kg de farinha de trigo
100 g de farinha de centeio
2 tabletes de 15 g de fermento biológico fresco
500 ml de água morna
20 g de sal (pretendo usar menos, da próxima vez)
15 g de colorau (páprica, hein? Não seja como eu :-P)

Modo de preparo:

Fiz assim: dissolvi o fermento na água morninha com um punhado de farinha de trigo e deixei descansar até borbulhar. Enquanto isso, numa tigela, peneirei a farinha e o sal juntos, misturei com o colorau e fiz uma cavidade bem no meio.

No meio da cavidade, despejei o líquido fermentado e fui misturando até conseguir formar uma bola de massa. Transferi a bola para a minha superfície de trabalho e sovei até obter uma massa lisa e elástica (uns 10 minutos).

Deixei a massa descansar coberta com um pano de prato até dobrar de volume. Depois disso, apertei-a para extrair o ar acumulado e dividi-a em porções de uns 50 g (dá quase 30 pãezinhos). Modelei bisnaguinhas e esse formato engraçadinho da foto.

Dispus os pãezinhos em assadeiras untadas e enfarinhadas, pincelei-os com um pouquinho de manteiga derretida, polvilhei a superfície deles com a farinha de centeio e cobri com um pano de prato até que eles dobrassem de volume novamente.

Assei em forno preaquecido a 230ºC por cerca de 18 minutos, com uma assadeira cheia de água na grade inferior do forno.

Deixei esfriar sobre uma grade.

16 comentários:

lunalestrie disse...

Mas ficaram tão bonitos! Eu era uma fã do colorau (o colorífico), até que descobri que ele não faz bem se comido diariamente. Acabei não comprando mais. :)

ameixa seca disse...

Ficaram muito bonitos. Diferentes mas muito bonitos ;)

pipoka disse...

Não é que eu esteja torcendo para vc errar de novo, mas gostei tanto do seu texto bem-humorado... Envergonhados ou não estão com muito boa cara!

bjs

Marizé disse...

Eu acho que o seu erro foi mais do que comum, e depois os pães ficaram lindos, e o texto está o máximo.

Bj

Akemi disse...

Também acho que ficaram lindos, independente de serem de colorau ou páprica. Adorei o formato que vc deu nos pãezinhos e mais ainda por toda sua franqueza! Bjs

ĵåииå jōåиïņhå disse...

mas o SEU pãozinho com colorau ficou muito muito lindo!

laila disse...

vergonha do q? ficaram lindoes..adorei o fromato e o sabor deve ter ficado difernte mas nao menos gostoso...bjs

yaralucas disse...

Na foto nem parecem tão alaranjados assim :o) Ficaram lindos e com certeza muito saborosos (e eu tenho um vidro de colorau sobrando lá em casa, hohoho, acho que vou fazer seus pães corados de vergonha) :o)

Laurinha disse...

Já quebrei a cara algumas vezes também, qto a ingredientes... o primeiro foi requeijão (que aqui para nós é ricota!) Mas já aprendi! :DDD

Deu vontade de experimentar este pãozinho!!! E me chamou a atenção o formato!!!


Beijinhos

Letrícia disse...

Luna, não sabia disso! Ai, tomara que quantidade de colorau por pão seja muito pequena para dazer mal.

Ameixa Seca, obrigada!

Pipoka, Marizé, obrigada... já que não adianta chorar pelo pão que deu errado, o jeito é rir ;-)

Akemi, obrigada! Esse formato é um charme, né?

Valeu, Janna!

Laila, eu pensei umas três vezes antes de postar esse pequeno desastre culinário, tamanha a vergonha :-P

Yara, de perto eles são bem laranjões. A luz da cozinha foi generosa comigo :-)

Laurinha, ainda bem que você comentou isso, agora eu não corro o risco de errar o pão de requeijão, que é uma das receitas do mesmo livro :-P

Beijos, meninas! E obrigada pela compreensão ;-)

Luciana Macêdo disse...

Estão com uma carinha ótima e o enroladinho éum charme, a cor serve para dar um ar de graça na mesa do café.
Bjs!

Agdah disse...

Lá em casa tem um pé de urucum e meu pai faz o pó e o óleo sempre. Seus pãezinhos portugueses acabaram sendo adaptados na Terra Brasilis.

Baú da Conceição disse...

Seus pães estão lindos, eu adorei.

Marcia disse...

O pão está corado, mas sem vergonha, deve ter ficado bom mesmo sem a páprika. P´roxima vez fica melhor. Esta confusão de colorau com pápikra parece que está em alta cá entre os blogs de língua portuguesa. Bj

Willyan Rodrigues disse...

Carado de vergonha ficou eu com minha duvida...Eu estava feliz e sorridente no supermercado fazendo minhas compras e quando passei pela sessão de temperos lembrei do post ai procurei pela paprica...pra minha surpresa encontrei duas variações doce e picante...fiquei sem entender nada...e queria ajuda...não quero errar a mão nos pãezinhos q são um charme...Obrigado

Letrícia disse...

Luciana, obrigada! De fato, depois do trauma, a cor é bem simpática.

Agdá, foi uma adaptação forçada, mas valeu o aprendizado ;-)

Conceição, obrigada!

Márcia, fico feliz de saber que não estou só na minha confusão ;-)

Willyan, tenho impressão de que é a páprica doce, feita de pimentão vermelho seco.

Beijos, pessoal!

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