Doce cremoso de goiaba (e senta, que lá vem divagação)

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Um dos meus principais defeitos sempre foi o perfeccionismo. Não, não encare isso como aquelas qualidades disfarçadas de defeito que a gente conta em entrevista de emprego quando nos perguntam nossos pontos fracos. É um ponto fraco mesmo - algo que pode me paralisar ou me fazer perder um tempo enorme.

Sou dessas que desmancha carreiras e carreiras de tricô porque lá no meio do cachecol um ponto 'correu'; dessas que deixa de servir um bolo porque a aparência dele deixou a desejar; dessas que sentem vontade de apagar toda a vida pregressa do blog porque as fotos são medonhas; dessas que se martirizam por muito tempo por conta de um erro, mesmo que pouco significativo.

Epa, será que essa ainda sou eu?

Depois que as crianças entraram na minha vida, minhas prioridades mudaram muito. De um dia para outro, eu deixei de ser o centro das minhas atenções. Não que eu fosse muito egocêntrica, mas eu tinha muito mais tempo para dedicar a me torturar. Hoje em dia, não dá perder tempo com ninharias, com elucubrações, com refazimentos. Eu preciso tentar fazer o melhor possível, dentro do que a ocasião oferece.

Eu custei a entender que agora, mãe de gêmeos pititicos, já não poderia mais esperar por condições ideais de temperatura e pressão para fazer o que quer que fosse: uma foto, um texto, um doce, um carinho. Teria que ser no tempo que desse, nas condições que se apresentassem.

O que, no começo, foi um sofrimento, de repente se transformou em libertação. A vida ficou mais leve! O texto não está saindo? A gente salva e termina mais tarde. Não dá para passear no parque? A gente brinca no jardim do prédio. A voz saiu gritada na hora de chamar a atenção? A gente pede desculpa e se corrige. Não dá tempo para preparar a receita cheia de eetapas? A gente tenta uma versão mais simples. Isso não significa se conformar com qualquer porcaria. Mas parar de almejar o opressor MELHOR em nome de uma constante - e estimulante! - MELHORIA.

"O ótimo é inimigo do bom" foi uma das frases que eu mais odiei na vida. Mas só até entender o que ela realmente significava.

Foi dentro desse novo espírito que preparei esta receita. Não havia tempo para que eu preparasse uma geleia de goiaba caseira para adoçar o lanchinho dos pequenos - e, confesso, eu não estava nem um pouco a fim de dedicar meus poucos minutos livres a uma panela de doce fervente. Foi quando me lembrei de ter visto um jeito super diferente de preparar doce cremoso de goiaba.

Revi a receita. Era realmente simples, levava pouco açúcar e não tomava muito tempo. Valia a pena tentar. Foi o que eu fiz.

O resultado foi um creme de cor alaranjada viva e brilhante, com consistência boa para espalhar numa fatia de pão, misturar no iogurte ou comer com queijo fresco. O sabor é suave - doçura discreta e muita 'goiabice'.

Não é a geleia de goiaba com que eu cobriria um bolo ou rechearia biscoitinhos. Mas é justinho o doce de que eu precisava para oferecer aos meus pequenos. E isso é BOM. De verdade.

Doce cremoso de goiaba
Receita adaptada daqui

Ingredientes:

6 goiabas vermelhas grandes e bem maduras (quanto mais maduras, mais vermelho será o doce)
1/4 de xícara de açúcar
Uma pitada de sal

Modo de preparo:

Higienize as goiabas. Descasque-as e corte-as em pedaços médios. Acomode-as em uma panela com fundo grosso, adicione o açúcar e o sal e misture bem. Leve ao fogo baixo, com a panela tampada. Vigie até começar a ferver e, então, destampe a panela.

As goiabas soltarão líquido. Quando isso ocorrer, retire a panela do fogo e bata goiabas e líquidos no liquidificador. Em seguida, coe em uma peneira grossa para descartar as sementes.

Leve novamente ao fogo baixo e deixe ferver por 5 a 10 minutos, mexendo ocasionalmente até dar ponto de geleia. E como é mesmo que se verifica o ponto da geleia, você me pergunta. Eu explico: pingue um pouquinho num pires (gelado ou não) e incline - se não escorrer, está no ponto.

Distribua em vidros esterilizados (quer aprender a esterilizar os vidros? A Akemi ensinou aqui). Aqui em casa, rendeu 2 vidros com capacidade para 300g não muito cheios.

Observação final:

* Nem ia postar esta receita - achei que a cor estava meio desmaiada e o sabor um tanto mais discreto do que eu gostaria. O que me fez mudar de ideia foi a duplinha, que amou o doce. Virou o acompanhamento preferido para o iogurte natural caseiro.

* Para um doce mais corado, utilize goiabas mais vermelhas. Ou, ainda, adicione mais açúcar e cozinhe por mais tempo. Só tome cuidado para não perder os grandes atrativos da receita - a quantidade reduzida de açúcar e a rapidez com que fica pronto.

Um comentário:

Clara Brito disse...

Gosto tanto de Goiabada... Esse doce ficou com um aspecto maravilhoso.

Beijinhos,
Clarinha

http://receitasetruquesdaclarinha.blogspot.pt/

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