Bolo de fubá com goiabada

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Há algum tempo, mandei para a Fezoca uma receita de bolo de fubá com goiabada que tinha visto na TV. Ela fez e ficou uma lindeza. E me deu a maior vontade de fazer também. Só que a receita leva um ingrediente-tabu, para mim: claras em neve (ou em castelo). Nada do que eu faço com claras em neve funciona. Ou a clara não fica incorporada direito, ou a mistura desanda, ou a clara murcha...

Assim, acabei fazendo uma receita adaptada da que vi nas Rainhas do Lar. E acrescentando pedacinhos de goiabada.

Bolo de fubá com goiabada
Bolinho no ramequim, querendo fugir.

Quer salvar esta receita no Pinterest ou nos seus bookmarks? Encontre-a no novo endereço do blog: nocalordofogao.com.br
O blog velhinho (ou seja, este aqui) será desativado definitivamente em 31/12/2019.

Ingredientes:
1 xícara de leite
3 ovos
1 xícara de fubá de milho
½ xícara de óleo
1 xícara de farinha de trigo
1 ½ xícara de açúcar (a receita original pede 2 xícaras, mas como ainda ia entrar goiabada, achei melhor diminuir o açúcar).
1 colher (sopa) de fermento
Sementes de erva-doce (opcional)
½ xícara de goiabada-cascão em cubinhos pequenos (role-os em um pouco de farinha de trigo antes de adicionar à massa para que eles não afundem)

Modo de preparo:
Leve todos os ingredientes ao liquidificador, menos o fermento, a erva-doce e os cubinhos de goiabada. Acrescente-os ao final, misturando-os bem com uma colher.

Despeje a massa em uma forma de bolo com um furo central, untada e polvilhada com farinha de trigo. Leve ao forno preaquecido a 200ºC por 30 a 40 minutos (faça o teste de palito para confirmar se o bolo está pronto).

Vivendo e aprendendo:
Eu fiz duas grandes bobagens nesta receita. Primeiro, usei uma forma menor do que a que indico na receita (minha forma estava emprestada, resolvi usar uma de bolo inglês e um ramequim, no lugar). Segundo, fui gulosa e cortei cubos grandes de goiabada.

O resultado disso foi um pequeno desastre. Os pedaços de goiabada não conseguiram boiar e foram para o fundo, empurrando a massa para cima e criando um pequeno vulcão de fubá dentro do meu forno. Apesar disso, o bolo ficou muito, muito gostoso. Eu farei de novo, só que usando a forma certa e cortando a goiabada em pedaços menores.

Queijadinhas

sábado, 5 de julho de 2008

Queijadinha

Só de vez em quando eu me permito fazer e comer queijadinhas. Ai, ai.

Dessa vez, precisei adaptar um pouquinho a receita ao que eu tinha na despensa. Usei um pacote de 100g de coco ralado não adoçado, 1 lata de leite condensado desnatado, 3 ovos médios e 4 colheres (sopa) de queijo meia-cura ralado.

O coco foi hidratado em 100 ml de água de coco (de caixinha, mesmo - quem não tem coco de verdade, caça com gato). Bastaram uns 10 minutos para que o coco absorvesse todo o líquido.

Depois, juntei-o aos ovos e ao leite condensado, previamente misturados. Por fim, Adicionei o queijo meia-cura ralado, mexi bem e preenchi 12 forminhas de muffin com essa mistura.

Levei ao forno preaquecido a 200ºC por cerca de 30 minutos, ou até que as queijadinhas fiquem douradinhas.

Pães corados de vergonha

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Ah, a caprichosa língua portuguesa... no natal, ganhei um livro de pães incrível. Escrito em português de Portugal, ele tem receitas para diversas ocasiões – lanches, almoços, jantares...

Caí de amores por uma receita de pão com colorau. Além de simples (o que é uma beleza, diante das minhas parcas habilidades), parecia muito apetitosa.

Comprei um pacotinho de colorau, separei os ingredientes e mãos à obra. Ou melhor, mãos a OPA.
- “Opa, esse colorau tem textura diferente do que aparece na foto do livro”
- “Opa, a massa está ficando cor-de-rosa”
- “Opa, depois de assados, os pães ficaram alaranjados, diferentes dos que aparecem no livro”

Só então atentei para a dura verdade da língua: o que chamamos de colorau no Brasil é diferente do colorau de Portugal. O daqui é o pozinho do urucum. O de lá é a páprica – ‘taí a Neide, que não me deixa mentir.

Em outras palavras, pessoas, eu ainda não estreei nenhuma receita do meu livro novo (gente, como eu sou deprê – pior é que eu ainda conto para vocês)! De qualquer forma, fiz uns pães alaranjados gostosinhos. Bons para comer com manteiga ou cream cheese depois de um vexame desses.

Pão com colorau
Adaptado do livro Pão & Cª, de Piergiorgio Giorilli.

Quer salvar esta receita no Pinterest ou nos seus bookmarks? Encontre-a no novo endereço do blog: nocalordofogao.com.br
O blog velhinho (ou seja, este aqui) será desativado definitivamente em 31/12/2019.

Ingredientes:

1 kg de farinha de trigo
100 g de farinha de centeio
2 tabletes de 15 g de fermento biológico fresco
500 ml de água morna
20 g de sal (pretendo usar menos, da próxima vez)
15 g de colorau (páprica, hein? Não seja como eu :-P)

Modo de preparo:

Fiz assim: dissolvi o fermento na água morninha com um punhado de farinha de trigo e deixei descansar até borbulhar. Enquanto isso, numa tigela, peneirei a farinha e o sal juntos, misturei com o colorau e fiz uma cavidade bem no meio.

No meio da cavidade, despejei o líquido fermentado e fui misturando até conseguir formar uma bola de massa. Transferi a bola para a minha superfície de trabalho e sovei até obter uma massa lisa e elástica (uns 10 minutos).

Deixei a massa descansar coberta com um pano de prato até dobrar de volume. Depois disso, apertei-a para extrair o ar acumulado e dividi-a em porções de uns 50 g (dá quase 30 pãezinhos). Modelei bisnaguinhas e esse formato engraçadinho da foto.

Dispus os pãezinhos em assadeiras untadas e enfarinhadas, pincelei-os com um pouquinho de manteiga derretida, polvilhei a superfície deles com a farinha de centeio e cobri com um pano de prato até que eles dobrassem de volume novamente.

Assei em forno preaquecido a 230ºC por cerca de 18 minutos, com uma assadeira cheia de água na grade inferior do forno.

Deixei esfriar sobre uma grade.

Pão enrolado de pesto

terça-feira, 24 de junho de 2008

Tenho um grupo de amigas que se conhece desde o segundo grau. Juntas, passamos por muitas fases. Primeiro, foram as festas de 15 anos. Depois, as formaturas. Depois, os casamentos. Agora, estamos iniciando a era dos chás de bebê.

Para comemorar a chegada do nosso sobrinho, fizemos um lanche da tarde. Sucos, frutas, gelatina, iogurte. Os pães ficaram por minha conta. Servi o de banana que postei há algum tempo (até atualizei o post falando das impressões sobre ele) e um pão recheado com pesto. Gente, que delícia. Que cheiroso. Fica bom de qualquer jeito - puro, com manteiga, com cream cheese... da próxima vez, vou prová-lo com um bom azeite (acabou tão rápido que não deu tempo).

A receita saiu do blog Straight from the Farm, que há seis meses produziu uma série de posts de cair o queixo, só sobre pães. Fiz metade da receita original (que rende um pão para uma forma de 12x 23 cm), e transcrevo abaixo as quantidades de ingredientes que usei.

Pão de pesto
Adaptado de Jennie, do Straight from the farm, que por sua vez adaptou de “The Big Book of Bread”


Quer salvar esta receita no Pinterest ou nos seus bookmarks? Encontre-a no novo endereço do blog: nocalordofogao.com.br

O blog velhinho (ou seja, este aqui) será desativado definitivamente em 31/12/2019.

Ingredientes:

270g de farinha de trigo
1 colher (chá) de sal
½ colher (chá) de açúcar refinado
1 colher (chá) de fermento biológico seco instantâneo
25 ml de azeite de oliva
175 ml de água morna
3 colheres (sopa) de molho pesto*

Modo de preparo:


Peneire a farinha e o sal em uma tigela grande. Misture a eles o açúcar e o fermento. Faça um buraco no centro e adicione o óleo e 100 ml da água. Comece a misturar, adicionando aos poucos o restante da água até que se forme uma massa macia (para mim, não foi necessário usar toda a água, devo ter ficado em 150 ml, no total).

Despeje a massa numa superfície de trabalho enfarinhada e sove até que fique lisa e elástica. Forme uma bola com ela e disponha-a numa tigela levemente untada. Cubra com um pano de prato levemente umedecido e deixe crescer até dobrar de volume em um lugar quentinho.

Depois que a massa crescer, extraia o ar dela dando-lhe uns apertões. Abra-a na sua superfície de trabalho com o auxílio de um rolo de massa até formar um retângulo de 30x20 cm. Espalhe o molho pesto sobre a massa e enrole-a a partir do pelo lado mais estreito bem apertadinho, até formar um rocambole (antes de enrolar, ralei um pouco mais de parmesão sobre o molho pesto).

Coloque a massa em uma forma de bolo inglês de 12x23 cm, devidamente untada. Cubra com um pano de prato e deixe crescer até dobrar de volume novamente. Enquanto isso, preaqueça o forno a 220ºC.

Asse o pão por 25 a 30 minutos ou até que ele fique crescido e moreninho. Deixe-o esfriar numa grade antes de servir.

Pão de pesto cortado

Como fiz o pesto:


O pesto foi feito ‘a olho’. Usei aproximadamente 1 xícara de folhas de manjericão frescas, uma colher (sopa) bem cheia de pinólis e ½ dente de alho picado. Acrescentei umas duas ou três colheres (sopa) de azeite, um punhado de queijo parmesão ralado na hora e sal e pimenta-do-reino a gosto.

Centenário da imigração japonesa

quarta-feira, 18 de junho de 2008


Hoje se comemora o centenário da imigração japonesa no Brasil. Como já dizia Tchekov, ‘canta a tua aldeia e cantarás o mundo’. Assim, para falar da grande miscigenação cultural que ocorreu e homenagear imigrantes e seus descendentes, vou falar de um grupo de pessoas, em especial – a minha família.

Meu avô chegou aqui há mais de 70 anos, vindo de Kumamoto, no Sul do Japão. Primogênito, veio com os pais e os irmãos, fugindo de um Japão cheio de fome e de ímpetos imperialistas. Não era agricultor enquanto viveu lá, mas, aqui, aprendeu 'na marra' a plantar e colher. E logo constituiu família ao lado de uma mocinha de Hokkaido.

Quando meu pai nasceu, a família já vivia em uma fazenda no interior do estado de São Paulo. O começo não foi fácil. Proteína animal não era algo simples de se obter – não foram poucas as vezes em que os irmãos jantaram passarinhos fritos, mortos a pedradas. A terra nova também tinha clima caprichoso – houve um ano em que uma geada arruinou todos os vegetais cultivados, menos as resistentes abóboras kabochá.

E as dificuldades de adaptação, então? Meu pai e seus irmãos foram alfabetizados primeiramente em japonês. Por causa disso, papai foi reprovado em um exame final da 1ª ou da 2ª série, pois não conseguia lembrar como se dizia a cor do céu em português.

Apesar de todos os percalços, eles seguiram em frente. Foram se acostumando aos hábitos locais e se apaixonando pelo país que os recebeu. O arroz japonês grudadinho (gohan) logo ganhou a companhia do feijão (roxinho, que é o que a minha avó mais gosta).

Um dos filhos, por sinal, levou tão a sério esse amor pelo Brasil que se encantou por uma paraense que vivia em São Paulo. Ele já era noivo. A moça também. Mas resolveram enfrentar as diferenças culturais e o olhar torto de suas famílias, que achavam que aquela união não podia dar certo.

Os primeiros anos de casamento não foram moles, mesmo. Tudo que o rapaz tinha de bonito, tinha de reservado. A moça, por sua vez, era uma pimentinha – falante, elétrica, impulsiva. O idioma era outra barreira. Até os 16 anos, ele quase não falava português. Quando casou, aos 24, ainda tropeçava em algumas palavras. O choque foi inevitável. Mas a vontade de ficar juntos fez com que eles superassem as diferenças.

Esse casal teve duas filhas. A mais velha casou-se com um descendente de alemães e é mãe de duas menininhas de olhos puxados (uma de cabelos lisos e louros, a outra de cabelos castanhos, muito cacheados). A mais nova casou-se com um descendente de italianos e é essa que vos escreve.

Essa é a história da minha família. Mas poderia ser de muitas outras famílias, que começaram a se formar quando o primeiro navio japonês aportou em Santos, há exatos 100 anos. A história de uma gente que nunca esquece suas raízes. Mas que escolheu plantá-las bem fundo, aqui no Brasil.

BANZAI!

Pão de banana do capoeirão

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Todo mundo que tem um blog de culinária um dia na vida vai fazer um post falando sobre bananas que precisavam ser usadas urgentemente. Este deve ser o meu segundo ou terceiro. Pois bem, eu tinha umas bananas já cruzando o Cabo da Boa Esperança e precisava usá-las de qualquer jeito.

Quem me socorreu foi uma receita copiada de um caderno da mamãe que, por sua vez, a copiou de um livro de receitas da Tia Nastácia (aquela personagem dos livros de Monteiro Lobato). Felizmente, ao contrário da D. Benta, a Tia Nastácia é bem mais precisa com as medidas. Fiz algumas poucas adaptações e transcrevo a receita abaixo.

Pão de banana

Quer salvar esta receita no Pinterest ou nos seus bookmarks? Encontre-a no novo endereço do blog: nocalordofogao.com.br

O blog velhinho (ou seja, este aqui) será desativado definitivamente em 31/12/2019.

Ingredientes:


3 bananas grandes (usei 5 bananas prata beeem maduras)
2 ovos
3 colheres (sopa) de manteiga amolecida (usei manteiga com sal para dar uma equilibrada na doçura do bolo)
180g de açúcar
300g de farinha de trigo
1 colher (chá) de fermento em pó
1 colher (chá) de bicarbonato de sódio

Modo de preparo:

Unte com manteiga ou margarina uma forma de bolo inglês com 12x23cm. Polvilhe com farinha (ou faça como eu e polvilhe com canela). Aqueça o forno a 180ºC.

Em uma tigela, amasse as bananas com um garfo. Sempre misturando com o garfo, adicione os ovos, a manteiga e o açúcar. Aos poucos, acrescente a farinha de trigo, o fermento e o bicarbonato (peneirei todos os ingredientes secos juntos e misturei-os antes de incorporar à massa). Misture muito bem e passe para a forma reservada.

Leve ao forno por mais ou menos 30 minutos para assar e corar (faça o teste do palito para ter certeza, no meu forno demorou mais tempo do que isso).

Retire do forno, aguarde um tempinho até esfriar e desenforme em um prato.

Observação importante:

Gente, eu preciso confessar. Fiz esse pão dois dias depois do meu aniversário (22 de maio). Minha casa estava cheia de guloseimas e eu preferi congelá-lo inteiro - sem provar! Shame on me. Mas experimentei a massa crua e estava uma delícia. Assim que eu prová-lo, faço um update.

Update:


Gente, que bom que é! É muito fofinho, tem boa umidade e um sabor bem pronunciado de banana. Não é muito doce. A dica de polvilhar a forma com a canela vale a pena, vão por mim. Ah, e passou no crivo da Gabriela, uma exigente mocinha de 1 ano e 9 meses, filha de uma amiga.

Pão de banana cortado

Pitaia

domingo, 8 de junho de 2008

Que vexame. Achei que ia conseguir manter a regularidade das postagens em maio e logo me vi envolvida numa avalanche de trabalho. Quase um mês depois da última vez que passei por aqui, estou de volta.

Nos últimos tempos, não cozinhei muito mais do que o trivial. Mas, visitando os meus primos que têm um sítio em Pereira Barreto, provei uma fruta que adorei!

É a pitaia, ou fruta-dragão. Ela dá num tipo de cacto, nativo da América Central, que pode chegar a 3m de altura (os pés de pitaia do meu primo ainda não eram tão altos). Por mais que isso contrarie a imagem que fazemos dos cactos, as pitaias adoram umidade - quando são irrigadas, dão frutos maiores e mais saborosos.

A polpa é macia, tem sementes pretas e pode ir de uma tonalidade bem branca até o magenta mais escandaloso.

Pitaia no prato!
Pitaia branca

Nas minhas fuçações pela internet, descobri que ela é fonte das vitaminas A e C. E que rende bons sorbets e drinks.

Pitaia no prato!

A pitaia não é uma unanimidade entre as pessoas que já provaram. Muita gente acha sem graça. Pessoalmente, achei muito boa. Lembra assim, de longe, o kiwi (com a diferença que não me dá alergia).

Printfriendly