Se existe uma atividade que exercita a minha humildade, esta atividade é fazer pão. Depois de uma seqüência de fornadas bem sucedidas, eu começo a pensar: agora sim, acho que já sei fazer o básico, talvez dê pra tentar massas mais desafiadoras, como aquelas de fermentação natural (que me dão arrepios só de pensar).
Aí, eu tropeço em algum passo elementar. E me vêm à cabeça as sábias palavras do
Sr. Miyagi: “primeiro pintar a cerca, depois aprender caratê”. Ainda tenho muita cerca para pintar até conseguir fazer pão que nem gente grande.
Bom, este pão foi aquele cuja foto eu publiquei há alguns dias, sem receita. Hoje resolvi fazê-lo como deve ser. Medi todos os ingredientes, trabalhei a massa, deixei crescer, modelei... e aí, na segunda fermentação, pus tudo a perder - fui fazer outra coisa e esqueci dos pães, que descansaram por um tempo longo demais, em um ambiente quente demais. Resultado: enquanto estavam no forno, os pães cresceram um tanto e pfffff... desabaram. Encolheram e ficaram com a superfície meio enrugada.
Apesar disso, o miolo continuou macio. E o gosto de uma fatia quentinha com um pouco de manteiga me fez querer tentar de novo, até ficar perfeito. Sr. Miyagi se orgulharia de mim ;-)
Receita retirada do caderninho da mamãe
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O blog velhinho (ou seja, este aqui) será desativado definitivamente em 31/12/2019.
Ingredientes:
2 xícaras de farinha de trigo integral
1 ½ xícara de farinha de trigo branca*
½ xícara de batatas cozidas e espremidas (usei duas batatas pequenas)
½ xícara de aveia em flocos
1 colher (chá) de sal
1 ½ xícara de leite
¼ de xícara de mel
¼ de xícara de manteiga
1 colher (sopa) de fermento biológico seco instantâneo
Trigo partido e fubá para polvilhar os pães
Modo de preparo:
Numa panela, leve a manteiga e o mel ao fogo baixo até que derretam. Junte o leite e o sal a eles e mexa bem. Por fim, acrescente as batatas amassadas e misture até incorporar. Reserve.
Em uma tigela grande, coloque a farinha de trigo integral, a aveia e o fermento e misture bem. Faça uma cova no centro dos ingredientes e despeje aí a mistura líquida de batatas. Com um garfo (ou com as pontas dos dedos), misture os ingredientes até obter uma massa grudenta. Enfarinhe a sua superfície de trabalho com ¼ de xícara de farinha de trigo branca e transfira a massa para ela.
À medida que trabalha a massa com as mãos, esticando-a e empurrando-a, acrescente mais farinha de trigo branca, ¼ de xícara de cada vez, até completar a quantidade total recomendada (1 ½ xícara). Nessa altura, a massa já deve estar lisa e elástica. Se ainda estiver grudenta, acrescente mais farinha (¼ de xícara de cada vez) e trabalhe a massa novamente.
Forme uma bola com a massa, passe farinha em toda a sua superfície, coloque-a em uma tigela grande e cubra com filme plástico. Leve-a para crescer em um lugar quentinho e protegido de correntes de ar até que ela dobre de volume (entre 1h30 e 2h).
Enquanto isso, unte duas assadeiras de bolo inglês (26 cm X 12 cm) e polvilhe-as com fubá e trigo partido. Reserve-as.
Massa crescida, murche-a com um murro, transfira-a para a superfície de trabalho e extraia todo o ar acumulado nela. Trabalhe-a mais um pouco e divida-a ao meio. Abra cada metade em um retângulo de uns 37 cm X 22 cm. Enrole-a pelo lado mais curto, aperte as pontas e acomode-a dentro da forma preparada. Cubra os pães com um pano de prato levemente úmido e deixe crescer novamente por uns 40 minutos (aqui, eu deixei o pão crescer num calor danado e só me lembrei dele quase 2h depois – não faça isso!). Aproveite para ligar o forno a 180ºC.
Pincele os pães com um pouco de água e polvilhe-os com fubá e trigo partido. Asse-os por 30 a 40 minutos. Para verificar se estão bons, tire-os da assadeira e dê uma pancadinha neles com os nós dos dedos. Se o som for oco, já pode tirá-los do forno. Caso ainda não estejam bons, devolva-os ao forno diretamente na grade para assar por mais 5 minutos.
Deixe os pães esfriarem sobre uma grade por meia hora antes de comer.
Observações finais:
* A receita original levava uma quantidade muito maior de farinha de trigo branca – até 3 xícaras, o dobro do que usei. Eu aconselho a tentar só com 1 ½ xícara, primeiro. E a ter força na peruca – trabalhar a massa com toda a coragem e fé que há no coração. Se ainda assim ficar muito grudenta, acrescente um pouquinho mais de farinha (vá com calma, é pouquinho, mesmo).