Raiscare

terça-feira, 31 de março de 2009

Olá, pessoal. Antes de mais nada, obrigada pela força. Aos poucos a vida está voltando aos eixos. E isso fica bem mais fácil com o carinho de vocês :-)

Na semana passada fiquei adoentada e só queria saber de comidas que me aquecessem por dentro. Resolvi fazer o raiscare que vi num livro de culinária que ganhei da minha mãe. Raiscare é um cozido de frango com legumes que leva curry e canela. É bom para dias frios, acompanhado de arroz branco quentinho.

Raiscare
Receita adaptada de Cozinha Japonesa, de Eiko M. Kina, Ed. Melhoramentos

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Ingredientes para 4 pessoas:

1 kg de coxa ou sobrecoxa de frango (usei 500g de filé de peito)
2 colheres (sopa) de óleo (usei óleo de canola)
3 cenouras médias raspadas e cortadas em cubos de 2 cm de lado
3 batatas descascadas e cortadas em cubos de 2 cm de lado
1 talo de salsão limpo e cortado em cubos de 2 cm de lado (não tinha em casa)
1 cebola grande descascada e cortada em cubos de 2 cm de lado
2 colheres (sopa) de gengibre fresco picado fino (não tinha em casa)
2 folhas de louro (não tinha em casa)
6 copos de caldo de frango caseiro (usei 1 l de caldo de galinha industrializado)

Tempero:

1 colher (sopa) de sal (como usei caldo de galinha industrializado, que já tem muito sal, reduzi essa quantidade a 1/3)
1 dente de alho amassado
1 colher (café) de pimenta do reino (usei ¼ de colher de chá)
1 colher (café) de canela em pó (usei ¼ de colher de chá)
1 colher (café) de curry (achei pouquíssimo – usei 1 colher de sopa :-P)
1 colher (sopa) de maisena

Modo de preparo:

Corte cada coxa ou sobrecoxa em 3 pedaços e coloque numa tigela (eu cortei o filé de peito em cubos de 2cm de lado). Acrescente todos os ingredientes do tempero e misture bem. Aqueça o óleo em uma panela e refogue o frango, mexendo delicadamente para que todos os pedaços dourem por igual. Adicione o gengibre o salsão e o louro à panela e deixe refogar um pouquinho (substituí esses ingredientes por uma borrifada de gengibre em pó, aipo em pó e louro em pó). Acrescente os demais vegetais, misture e regue com o caldo. Tampe e deixe cozinha até que a carne fique macia.

Considerações finais:

* O livro não especificou o tamanho do copo usado como medida. Suponho que seja 200ml.
* O caldo de frango caseiro do livro é feito com ½ kg de ossos de frango, 1 pedaço de gengibre fresco e 2 talos de cebolinha verde, cozidos por 30 minutos em água fervente. Coe antes de usar.
* Minha geladeira estava meio vazia, por isso tive que trocar o gengibre, o salsão e o louro por seus equivalentes em pó. Fica bonzinho, mas seria melhor se eu os tivesse frescos (ou inteiros, no caso do louro).
* Achei que o caldo do raiscare ficou ralo depois de pronto (e olha que eu usei menos líquido que o recomendado na receita). Resolvi engrossá-lo ‘na marra’. Retirei legumes e frango da panela com uma escumadeira e reservei-los. Dissolvi 1 colher (sopa) de maisena em 50 ml de água, acrescentei ao caldo do raiscare e levei ao fogo baixo, misturando até obter a consistência de mingau ralo. Devolvi os legumes e o frango para a panela, misturei bem e servi em seguida.
* Minha mãe costuma trocar a batata por mandioca em cubos. Fica delicioso e o caldo fica bem grosso, do jeito que eu gosto.

Vá ser brava assim lá no céu

quarta-feira, 18 de março de 2009



Desculpe, pessoal, hoje não tem receita. Estou sem ânimo para cozinhar.

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Venho de uma tradição de mulheres bravas. E bravas em vários sentidos. Bravas porque fazem questão de marcar seus pontos de vista. Bravas porque não toleram injustiças, covardias ou preconceitos. Bravas porque tendem a ser um tiquinho (cof, cof) autoritárias e disciplinadoras. E bravas porque enfrentam a vida com coragem, sem nunca esmorecer diante de obstáculos.

Hoje, a mais brava de nós vai encarar um novo desafio – botar ordem no céu. Vozinha, obrigada por tudo. Pelas lições, pelas histórias, pelo carinho sem fim, por cada momento que passei ao seu lado. Eu queria ter percebido mais cedo como cada minutinho com a senhora era valioso.

Espero um dia estar à altura do seu exemplo. Um beijo saudoso da sua ‘pretioca’ que te ama muito, muito.

Trança recheada (mais uma idéia do que uma receita)

terça-feira, 10 de março de 2009

Há algum tempo publiquei aqui a receita do Pão do Joana Francesa. Desde então, já a repeti algumas vezes, mas gostei especialmente da última, quando o fiz do jeito que a Nina recomenda: com recheio!

Fiz a receita inteira (veja no Gourmandise o tamanho dela) e dividi em três partes, que eu modelei como cordões. Abri cada cordão, espalhei mostarda de Dijon com uma faquinha e, por cima, coloquei azeitonas drenadas e picadas, salame e mortadela em tirinhas e parmesão ralado. Fechei os cordões com cuidado para não rompê-los, formei uma trança com eles e, antes de assar, pincelei com ovo batido e salpiquei orégano.

Pão da Nina trançado e recheado
A trança recém saída do forno, esperando seus algozes.

Ficou muito, muito bom! Para completar, servi com um patê que preparei com queijo (todos os que sobravam na minha geladeira, mais requeijão cremoso) e alho (1 dentinho).

Pão da Nina trançado e recheado
O recheio quis dar uma olhada para fora ;-)

Eu comi figo-da-índia (e fiquei cheia de espinhos)

quarta-feira, 4 de março de 2009

Um casal de amigos tem um jardim de cactos. É a coisa mais linda - há mandacarus, palmas, pés de pitaia (pequenos, ainda) e uma infinidade de suculentas de todos os tipos e formatos. Passeando por ele, eu avistei algumas frutinhas que me lembrava de ter visto antes no Gourmandise. Não deu outra: eram figos-da-índia, prontos para serem colhidos.

Figo-da-índia

T., a dona da casa, disse que já tinha ouvido falar que os frutos das palmas eram comestíveis, mas que nunca tinha se aventurado a comer. Eu, xereta que sou, logo me ofereci como cobaia.

O problema, gentes, é que eu esqueci um aspecto importante relatado pela Nina: o figo-da-índia é cheio de espinhos, desses bem fininhos e quase invisíveis (ficam nos pontinhos pretos da fruta). Então, é fundamental que se use luva impermeável para colhê-lo e manipulá-lo, senão você vai ficar como eu, que estou tirando espinhos dos dedos até hoje. A dica da Nina, que eu adotei, é passá-lo rapidamente pela chama do fogão antes de comer (os espinhos viram cinzas e a vida fica bem mais fácil).

Figuinhos-da-índia
Nesses figuinhos, os espinhos ficam nos pontinhos brancos

Colhi frutos de dois cactos muito parecidos - um dá o figo-da-índia tradicional, alaranjado. O outro dá um fruto menor, fúcsia (nunca imaginei que um dia precisaria usar essa palavra :-P).

Figuinhos-da-índia abertos
A cor é incrível. O sabor, nem tanto.

O fruto pequeno tem cor mais impressionante do que o grande, mas tem menos gosto. Ele também tem sementinhas do tamanho de uma cabeça de alfinete, que precisam ser cuspidas. No fruto grande, as sementes me pareceram menores.

Figo-da-índia aberto
O figão. A cor não impressiona tanto, mas ele tem mais sabor.

O veredito: O sabor é agradável, bem suave - para mim, lembra um pouco a pitaia. Não fiquei encantada, mas comeria de novo sem problemas. Fora a chatice dos espinhos, foi uma boa experiência.

Pão integral da Karen

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Tenho esta receita impressa e guardada há muito tempo - muito antes de ter pensado em ter um blog de comida. "Ah, mais um pão, Letícia?" Ah, mais um pão, sim :-) E um pão delicioso, saído das mãos da Karen, com passagens por outras cozinhas igualmente poderosas.

Um dos pontos fortes dessa receita é a textura. Ao mesmo tempo em que os pães são macios, têm grãozinhos crocantes no meio, que deixam tudo mais divertido. E o sabor, então? Delícia!

Obrigada por mais essa receita incrível, Karen :-)

Pão integral da Karen
Receita vista em Kafka na Praia.

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Ingredientes para 1 receita (eu só fiz 1/3):

3 xícaras de água morna
1 xícara de óleo
3 ovos
1 colher (sopa) de sal
1 xícara de açúcar mascavo
1 xícara de farelo de trigo
1 xícara de gérmen de trigo
2 xícaras de farinha de trigo integral
2 xícaras de aveia em flocos
2 colheres (chá) de fermento biológico seco instantâneo
cerca de 1 kg de farinha de trigo comum

Modo de preparo:

Em uma tigela grande, despeje o óleo, os ovos, o sal e o açúcar mascavo, misturando bem com uma colher de pau. Em seguida, acrescente o farelo de trigo, o gérmen de trigo e a água morna e misture mais. Por fim, junte o fermento, a farinha de trigo integral e a aveia e mexa novamente. Feito isso, vá acrescentando a farinha de trigo comum aos poucos, até que a massa fique dura demais para se mexer com uma colher.

Transfira então a massa para a sua superfície de trabalho levemente enfarinhada e sove-a por cerca de 10 minutos. Forme uma bola com ela, disponha em uma tigela levemente untada, cubra com filme plástico e deixe crescer até que ela dobre de volume.

Terminada essa etapa, murche a massa com os punhos e modele-a como preferir - eu modelei 15 bolinhas de 60g, pincelei-as com água e grudei um pouquinho de trigo partido. Disponha em assadeiras untadas (além de untar, eu polvilhei fubá) e deixe crescer novamente até dobrar de volume.

Asse em forno médio pré-aquecido por 30 minutos (eu usei o mesmo método que a Laurinha - levei ao forno a 220ºC por 10 minutos e depois reduzi para 180ºC, por cerca de 15 a 20 minutos, até ficarem douradinhos).

Madeleines de mel e murcote

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Madeleines de murcote

Madeleines de murcote

Andei fazendo madeleines de novo! Usei a mesma receita das madeleines de mel e limão, só substituí o limão por murcote e diminuí um tantinho a quantidade de açúcar (a murcote é muito doce). Ficaram tão cheirosas :-)

Panettone Piamontese da Laila

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Eu adoro panettone. Mas panettone, mesmo – com frutas cristalizadas e passas. E sempre quis fazê-lo em casa, mas morria de medo das receitas, que me pareciam muito complexas para a minha pobre cabecinha. Foi quando a Laila publicou uma receita que me pareceu mais simples.

Anotei e resolvi testar. Deu tão certo que eu já fiz mais de uma vez. E estou com vontade de repetir ao longo do ano, sempre que bater uma vontade irresistível de comer panettone.

Panettone partido
Receita extraída de Comidinhas do Bem (fonte: Utilisima)

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Ingredientes da esponja:

20 g de fermento biológico fresco (ou ½ colher de sopa bem cheia de fermento biológico seco instantâneo)
100 ml de leite
1 colher (chá) de açúcar
125 g de farinha de trigo

Modo de preparo da esponja:

Em uma tigelinha, dissolva o fermento no leite. Em outra, peneire a farinha de trigo e o açúcar. Adicione o leite aos ingredientes peneirados, misture bem, cubra e deixe fermentar por 35 minutos.

Ingredientes da massa:

400 g de farinha de trigo
6 g de sal refinado
15 g de fermento biológico fresco (ou ½ colher de sopa de fermento biológico seco instantâneo)
100 g de açúcar
5 gemas (use ovos caipiras, a cor fica mais intensa)
125 ml de água
½ colher (chá) de essência de baunilha
Raspas de 2 laranjas
Raspas de 1 limão
140g de manteiga em temperatura ambiente
400 g de frutas secas (usei um pouco de frutas cristalizadas, passas pretas e brancas e damascos picadinhos)

Modo de preparo da massa:

Peneire a farinha com o sal. Faça uma cova e despeje no centro a esponja, o fermento, o açúcar, as gemas, a água, a essência e as raspas de laranja e limão. Trabalhe a massa até que ela fique unida e homogênea. Incorpore então a manteiga e trabalhe a massa até que ela se solte da bancada. Tenha paciência – no início, dá a sensação de que isso nunca acontecerá, mas logo a manteiga é absorvida e você obtém uma massa lisa, brilhante e uniforme, com uma linda cor amarela.

Forme uma bola com a massa, cubra com um filme plástico e deixe crescer por 30 minutos.

Aperte a massa com o punho para extrair o gás de dentro dela e incorpore as frutas. Cubra novamente e deixe crescer até dobrar de volume.

Por fim, divida a massa em três pedaços de 500 g, cada, e disponha em assadeiras de papel próprias para panettone. Cubra cada uma com um saco plástico e deixe crescer até dobrar de volume.

Pré-aqueça o forno a 170ºC. Disponha os panettones em uma assadeira grande e coloque-a na grade mais alta do forno, deixando uma assadeira com água na grade inferior. Os panettones levarão de 35 a 40 minutos para assar (de qualquer forma, para saber se assaram, faça o teste do palito usando um palito de churrasco).

Observações finais:

* A receita original leva um glaceado de amêndoas, mas eu fiz como a Laila – sem ele.

* Eu testei fazer a receita com fermento fresco e seco instantâneo. O resultado foi o mesmo.

* O panettone fica muito gostoso, mas a massa não ‘desfia’, como os da marca brasileira famosa.

Panettone

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