Doce de banana

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Sou uma entusiasta da banana. É docinha, macia, tem embalagem resistente e é fácil de abrir. É fonte apreciável de vitamina A, vitamina C, fibras e potássio, segundo a Wikipedia. E é só alegria - segundo a mesma Wikipedia, a danada ainda é rica em triptofano, o que aumenta os níveis de serotonina no organismo.

O problema é o fenômeno que acontece quando você compra uma quantidade maior delas - eu costumo chamá-lo de DESESPERO DA BANANA. As bananas amadurecem de uma hora para outra, todas de uma vez, e dar cabo delas vira um caso de polícia.

Nessas horas, vale tudo: cookies de banana, pão de banana, muffin de banana, torta de banana, smoothie... e, agora, doce de banana! Esse que eu fiz é muito fácil e é surpreendentemente bom. Quando bater desespero da banana na sua casa, testa e me diz se gostou :-)

Doce de banana
Receita adaptada de O Grande Livro de Receitas de Claudia

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Ingredientes:

6 bananas-prata maduras
1 xícara de açúcar mascavo
5 cravinhos da índia
1 pauzinho de canela quebrado em pedaços
1/4 de xícara de água

Modo de preparo:

Descasque as bananas, corte-as em pedaços e coloque-as em uma panela de fundo grosso. Junte o açúcar, o cravo, a canela e a água e cozinhe em fogo médio, mexendo às vezes, até que o doce engrosse e se solte do fundo da panela. Sirva com queijo branco, passe na torrada, coma puro...

Mousse de chocolate perfeita

terça-feira, 14 de abril de 2009


Sou fã assumida da linda Rita Lobo, como já contei antes aqui. E, no natal do ano passado, fui presenteada com mais um livro dela: A conversa chegou à cozinha. Logo na introdução, ela explica como associou histórias às receitas e, para exemplificar, menciona a mousse de chocolate – a melhor que ela conhece. É craro que eu pulei imediatamente para a receita da mousse, e não sosseguei até prová-la.

Mais uma vez, tenho que concordar com a Rita: é a melhor que eu já provei, também. Da segunda vez que preparei, fiz algumas modificações ao meu gosto. E ficou de chorar de emoção, ouvir anjinhos cantarem e tudo mais.

Com essa mousse, registro minha participação no evento Chá da Tarde, promovido pelas queridas Cris e Leila.

Mousse de chocolate
Receita adaptada de A conversa chegou à cozinha, de Rita Lobo

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Ingredientes:


8 gemas
170 g de chocolate meio amargo
1 xícara (chá) de açúcar
¾ de xícara de cacau em pó
200 g de manteiga
1 colher (sopa) de vodka aromatizada com baunilha (também pode ser conhaque)
500 ml de creme de leite fresco
170 g de pastilhas ou gotas de chocolate meio amargo com pelo menos 70% de cacau
Raspas de chocolate meio amargo para decorar

Modo de Preparo:

O primeiro passo é picar o chocolate meio amargo comum e, em seguida, derretê-lo no micro-ondas ou em banho-maria. Reserve.

Em uma tigela pequena, coloque as gemas e o açúcar e bata com a batedeira em velocidade alta por 3 minutos ou até obter uma gemada pálida e volumosa. Reserve também.

Numa panelinha, deite a manteiga e leve ao fogo baixo. Quando ela derreter, retire do fogo, acrescente o cacau em pó e a vodka e misture bem.

O próximo passo é reunir a mistura de cacau, a gemada e o chocolate em uma só tigela. Use um fouet para misturar.

Reta final – bata o creme de leite fresco na batedeira por 1 minuto em velocidade alta ou até que o creme comece a engrossar (não deixe chegar ao ponto chantilly). Adicione-o ao creme de chocolate e mexa delicadamente até obter uma mistura homogênea.

Por fim, misture as gotas de chocolate com 70% de cacau á mousse, transfira para o recipiente onde será servida e decore com as raspas de chocolate. Cubra com filme e leve à geladeira por no mínimo 3 horas. Sirva a seguir.

Observação final:

A receita original leva chocolate branco no lugar das gotas de chocolate com 70% de cacau. Talvez porque o meu chocolate branco fosse bem comum, achei que ele endureceu muito quando a mousse foi à geladeira. Embora endureçam também, as gotas de chocolate com alta porcentagem de cacau cedem rapidamente ao calor da boca e ficam molinhas e cremosas.

Hot cross buns

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Como amanhã é Sexta-Feira Santa, dia tradicional em que se comem esses pãezinhos, resolvi testar uma receita deles. A cruz sobre os pães, que nos tempos pagãos simbolizava as quatro estações do ano, hoje em dia serve para nos lembrar da Paixão de Cristo.

De qualquer forma, mesmo que você não creia em nada disso, acredite: esses pãezinhos são especiais. Macios, doces na medida certa, perfumados de especiarias. Além de tudo, ficam muito bonitinhos.

A receita saiu daquele livro que traz receitas em versão para fabricação manual e para MFP (já publiquei um pãozinho dele aqui). Assim, quem quiser saber o modo de preparo para MFP, me escreva, que eu mando por e-mail :-)

Hot cross buns
Receita adaptada de O livro dos pães, de Sara Lewis

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Ingredientes:

500g de farinha de trigo
3 colheres (sopa) de manteiga
3 colheres (sopa) de açúcar refinado
1 colher (chá) de sal
1 colher (chá) de canela em pó
¼ de colher de chá de pimenta inglesa (como eu não tenho loção de que pimenta é essa, usei a pimenta-da-jamaica, conhecida como allspice)
¼ de colher (chá) de noz-moscada
1 ½ colher de chá de fermento seco instantâneo
1 ovo batido
275ml de leite morno
125g de passas (usei uma mistura de castanhas de caju e de caju-passa e ficou incrível)

Para a cruz:
125g de farinha de trigo
8 a 9 colheres (sopa) de água
(acrescentei por conta própria o equivalente a 1 colher de chá de açúcar refinado)

Para pincelar:

4 colheres (sopa) de leite
2 colheres (sopa) de açúcar refinado

Modo de preparo:

Em uma tigela grande, peneire a farinha e acrescente a manteiga. Com os dedos, incorpore a manteiga à farinha até ficar que a textura lembre migalhas de pão. Acrescente as especiarias, o sal, o açúcar e o fermento e misture bem. Forme uma cova no centro da mistura e despeje nela o ovo batido e o leite, aos poucos, misturando com as mãos até obter uma massa macia e homogênea (pode ser que não seja necessário todo o leite).

Transfira a massa para a sua superfície de trabalho levemente enfarinhada e sove por 5 minutos, até que ela fique macia e elástica (quando transferi, a massa ainda estava meio grudenta, mas a sova e o nadica de farinha da minha bancada foram suficientes para ela tomar jeito). Acrescente as passas e as castanhas e incorpore-as à massa.

Coloque a massa em uma tigela grande, levemente untada com óleo, vire-a lá dentro para que ela também fique untada por todos os lados, cubra com filme plástico e deixe crescer em algum local quentinho da cozinha.

Depois que a massa tiver dobrado de volume, extraia o gás que se acumulou apertando-a com o punho. Transfira-a novamente para a área de trabalho, sove mais um tiquinho e, então, divida-a em 12 partes (fiz meia receita e consegui 7 bolinhas de 65g, mais ou menos). Modele-as em forma de bola e disponha em uma assadeira untada e enfarinhada, com bastante espaço entre elas. Cubra com um pano de prato ligeiramente úmido e deixe crescer novamente por 30 minutos.

Agora, prepare a mistura para fazer a cruz: numa tigela, peneire a farinha (e o açúcar, se quiser) e acrescente gradualmente a água até obter uma pasta homogênea. Faça então as cruzes nos pãezinhos. A autora pede que se use um saco de confeitar de papel, mas eu preferi usar uma colherzinha, mesmo (ainda me falta tutano para usar saco de confeitar). Leve-os para assar em forno pré-aquecido a 200°C por 15 minutos ou até que fiquem dourados.

Enquanto isso, numa panelinha, dissolva o açúcar no leite e leve ao fogo. Deixe ferver por 2 a 3 minutos, até virar um xarope. Pincele ainda quente sobre os pãezinhos recém-saídos do forno.

Observações finais:

*A Cláudia também tem uma receita especial desses pãezinhos, vá lá ver!
* Gosto cada vez mais deste livro de pães. Já testei 4 receitas dele – 1 ficou meio sem graça, mas as demais ficaram excelentes.
* Desculpem a demora em responder comentários, ando muito mais enrolada do que o de costume.

Raiscare

terça-feira, 31 de março de 2009

Olá, pessoal. Antes de mais nada, obrigada pela força. Aos poucos a vida está voltando aos eixos. E isso fica bem mais fácil com o carinho de vocês :-)

Na semana passada fiquei adoentada e só queria saber de comidas que me aquecessem por dentro. Resolvi fazer o raiscare que vi num livro de culinária que ganhei da minha mãe. Raiscare é um cozido de frango com legumes que leva curry e canela. É bom para dias frios, acompanhado de arroz branco quentinho.

Raiscare
Receita adaptada de Cozinha Japonesa, de Eiko M. Kina, Ed. Melhoramentos

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Ingredientes para 4 pessoas:

1 kg de coxa ou sobrecoxa de frango (usei 500g de filé de peito)
2 colheres (sopa) de óleo (usei óleo de canola)
3 cenouras médias raspadas e cortadas em cubos de 2 cm de lado
3 batatas descascadas e cortadas em cubos de 2 cm de lado
1 talo de salsão limpo e cortado em cubos de 2 cm de lado (não tinha em casa)
1 cebola grande descascada e cortada em cubos de 2 cm de lado
2 colheres (sopa) de gengibre fresco picado fino (não tinha em casa)
2 folhas de louro (não tinha em casa)
6 copos de caldo de frango caseiro (usei 1 l de caldo de galinha industrializado)

Tempero:

1 colher (sopa) de sal (como usei caldo de galinha industrializado, que já tem muito sal, reduzi essa quantidade a 1/3)
1 dente de alho amassado
1 colher (café) de pimenta do reino (usei ¼ de colher de chá)
1 colher (café) de canela em pó (usei ¼ de colher de chá)
1 colher (café) de curry (achei pouquíssimo – usei 1 colher de sopa :-P)
1 colher (sopa) de maisena

Modo de preparo:

Corte cada coxa ou sobrecoxa em 3 pedaços e coloque numa tigela (eu cortei o filé de peito em cubos de 2cm de lado). Acrescente todos os ingredientes do tempero e misture bem. Aqueça o óleo em uma panela e refogue o frango, mexendo delicadamente para que todos os pedaços dourem por igual. Adicione o gengibre o salsão e o louro à panela e deixe refogar um pouquinho (substituí esses ingredientes por uma borrifada de gengibre em pó, aipo em pó e louro em pó). Acrescente os demais vegetais, misture e regue com o caldo. Tampe e deixe cozinha até que a carne fique macia.

Considerações finais:

* O livro não especificou o tamanho do copo usado como medida. Suponho que seja 200ml.
* O caldo de frango caseiro do livro é feito com ½ kg de ossos de frango, 1 pedaço de gengibre fresco e 2 talos de cebolinha verde, cozidos por 30 minutos em água fervente. Coe antes de usar.
* Minha geladeira estava meio vazia, por isso tive que trocar o gengibre, o salsão e o louro por seus equivalentes em pó. Fica bonzinho, mas seria melhor se eu os tivesse frescos (ou inteiros, no caso do louro).
* Achei que o caldo do raiscare ficou ralo depois de pronto (e olha que eu usei menos líquido que o recomendado na receita). Resolvi engrossá-lo ‘na marra’. Retirei legumes e frango da panela com uma escumadeira e reservei-los. Dissolvi 1 colher (sopa) de maisena em 50 ml de água, acrescentei ao caldo do raiscare e levei ao fogo baixo, misturando até obter a consistência de mingau ralo. Devolvi os legumes e o frango para a panela, misturei bem e servi em seguida.
* Minha mãe costuma trocar a batata por mandioca em cubos. Fica delicioso e o caldo fica bem grosso, do jeito que eu gosto.

Vá ser brava assim lá no céu

quarta-feira, 18 de março de 2009



Desculpe, pessoal, hoje não tem receita. Estou sem ânimo para cozinhar.

**************

Venho de uma tradição de mulheres bravas. E bravas em vários sentidos. Bravas porque fazem questão de marcar seus pontos de vista. Bravas porque não toleram injustiças, covardias ou preconceitos. Bravas porque tendem a ser um tiquinho (cof, cof) autoritárias e disciplinadoras. E bravas porque enfrentam a vida com coragem, sem nunca esmorecer diante de obstáculos.

Hoje, a mais brava de nós vai encarar um novo desafio – botar ordem no céu. Vozinha, obrigada por tudo. Pelas lições, pelas histórias, pelo carinho sem fim, por cada momento que passei ao seu lado. Eu queria ter percebido mais cedo como cada minutinho com a senhora era valioso.

Espero um dia estar à altura do seu exemplo. Um beijo saudoso da sua ‘pretioca’ que te ama muito, muito.

Trança recheada (mais uma idéia do que uma receita)

terça-feira, 10 de março de 2009

Há algum tempo publiquei aqui a receita do Pão do Joana Francesa. Desde então, já a repeti algumas vezes, mas gostei especialmente da última, quando o fiz do jeito que a Nina recomenda: com recheio!

Fiz a receita inteira (veja no Gourmandise o tamanho dela) e dividi em três partes, que eu modelei como cordões. Abri cada cordão, espalhei mostarda de Dijon com uma faquinha e, por cima, coloquei azeitonas drenadas e picadas, salame e mortadela em tirinhas e parmesão ralado. Fechei os cordões com cuidado para não rompê-los, formei uma trança com eles e, antes de assar, pincelei com ovo batido e salpiquei orégano.

Pão da Nina trançado e recheado
A trança recém saída do forno, esperando seus algozes.

Ficou muito, muito bom! Para completar, servi com um patê que preparei com queijo (todos os que sobravam na minha geladeira, mais requeijão cremoso) e alho (1 dentinho).

Pão da Nina trançado e recheado
O recheio quis dar uma olhada para fora ;-)

Eu comi figo-da-índia (e fiquei cheia de espinhos)

quarta-feira, 4 de março de 2009

Um casal de amigos tem um jardim de cactos. É a coisa mais linda - há mandacarus, palmas, pés de pitaia (pequenos, ainda) e uma infinidade de suculentas de todos os tipos e formatos. Passeando por ele, eu avistei algumas frutinhas que me lembrava de ter visto antes no Gourmandise. Não deu outra: eram figos-da-índia, prontos para serem colhidos.

Figo-da-índia

T., a dona da casa, disse que já tinha ouvido falar que os frutos das palmas eram comestíveis, mas que nunca tinha se aventurado a comer. Eu, xereta que sou, logo me ofereci como cobaia.

O problema, gentes, é que eu esqueci um aspecto importante relatado pela Nina: o figo-da-índia é cheio de espinhos, desses bem fininhos e quase invisíveis (ficam nos pontinhos pretos da fruta). Então, é fundamental que se use luva impermeável para colhê-lo e manipulá-lo, senão você vai ficar como eu, que estou tirando espinhos dos dedos até hoje. A dica da Nina, que eu adotei, é passá-lo rapidamente pela chama do fogão antes de comer (os espinhos viram cinzas e a vida fica bem mais fácil).

Figuinhos-da-índia
Nesses figuinhos, os espinhos ficam nos pontinhos brancos

Colhi frutos de dois cactos muito parecidos - um dá o figo-da-índia tradicional, alaranjado. O outro dá um fruto menor, fúcsia (nunca imaginei que um dia precisaria usar essa palavra :-P).

Figuinhos-da-índia abertos
A cor é incrível. O sabor, nem tanto.

O fruto pequeno tem cor mais impressionante do que o grande, mas tem menos gosto. Ele também tem sementinhas do tamanho de uma cabeça de alfinete, que precisam ser cuspidas. No fruto grande, as sementes me pareceram menores.

Figo-da-índia aberto
O figão. A cor não impressiona tanto, mas ele tem mais sabor.

O veredito: O sabor é agradável, bem suave - para mim, lembra um pouco a pitaia. Não fiquei encantada, mas comeria de novo sem problemas. Fora a chatice dos espinhos, foi uma boa experiência.

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