E já que foi World Bread Day...

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Em tempos em que a gente se sente compelido a temer glúten, gordura, açúcar; a questionar se um alimento é transgênico, integral, orgânico; a tentar medir a pegada de carbono que nossas escolhas alimentares deixam... dá saudade da infância e do prazer sem culpa de um bom pão doce. 


Pão doce
(Carlos Sandroni)

Não adianta mentir pra mim mesma
Ficar me enganando, tentando dizer
Que nunca na vida, nunca na vida eu gostei de pão doce
Porque por mais que eu queira esconder
A verdade é que eu adorava pão doce
Não podia passar sem pão doce
Bastava ver padaria, que logo eu ia, que logo eu ia comprar

Não adianta mentir pra mim mesma
Porque no fundo, porque no fundo eu sei muito bem
Que essa história toda de não comer açúcar
Que essa história toda de não comer pão branco
Que essa história toda de viver de mel e pão integral
Isso tudo só foi começar muito depois
Depois de um tempo em que eu era
Tão completamente ingênua
Tão sem força de vontade
Que as doces delicadezas
De qualquer guloseima
Lânguidas me seduziam
E minha língua sofria
De incontrolável fascínio
Por cremes dourados
E frutas cristalizadas
Feito rubis incrustadas
Nas crostas crocantes dos pães

Mas hoje
Hoje tudo é diferente
Se eu olho pr'uma padaria, me ponho cismando, chego a duvidar
Como é que pôde um dia
Eu ter entrado tanto lá!...
Porque por mais que eu queira, mais que eu queira
Mentir pra mim mesma
Ficar me enganando, tentando dizer
Que nunca na vida, nunca na vida eu gostei de pão doce
Fazendo um exame detido, sendo sincera, eu tenho que admitir
Que a verdade, meus amigos
(pelo menos no que tange a trigos)
A verdade no duro, doa a quem doer
A verdade é que eu adorava pão doce
A verdade é que eu adorava pão doce
A verdade é que eu adorava pão doce

Geleia de jabuticaba

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Este ano, precisei assumir uma verdade dolorosa a meu respeito: eu não tenho maturidade diante de jabuticabas. Eu as como do mesmo jeito que comia na infância - até doer. Para mim, não existe isso de comer 5, 8 jabuticabas. Eu como dezenas, literalmente.

O problema é que eu já não tenho o metabolismo da menina que subia em jabuticabeiras e comia as frutinhas direto do pé. O ponteiro da balança logo  acusou os excessos de jabuticaba. Pensei em dar as frutas que me sobravam a outra pessoa, mas quem disse? A menina escaladora de árvores que habita o meu ser deu birra e eu acabei não conseguindo.

Resolvi então usar as jabuticabas em uma receita. E me decidi por geleia - como é bem doce, eu acabo comendo pouquinho. Fiz a receita da Rosaly Senra, uma fera em quitandas e outras gostosuras de Minas Gerais.

Gente, simples demais de fazer. E deliciosa. É uma ótima opção para quem está com jabuticabeiras carregadas e não dá conta de comer tudo. Ou, ainda, para quem não sabe lidar com o próprio apetite diante das amadas frutinhas. :-\

Geleia de jabuticaba
Receita adaptada daqui

Quer salvar esta receita no Pinterest ou nos seus bookmarks? Encontre-a no novo endereço do blog: nocalordofogao.com.br
O blog velhinho (ou seja, este aqui) será desativado definitivamente em 31/12/2019.

Ingredientes:

Jabuticabas maduras e frescas
Água filtrada quanto baste
Açúcar quanto baste
Limão quanto baste

Modo de preparo:

Sei que muita gente tem nervoso de receita com quantidades vagas - pior ainda, com "quanto baste". Mas eu explico: a quantidade desses ingredientes depende da quantidade de suco de jabuticaba que você vai obter. Que, por sua vez, depende da quantidade de jabuticabas que você vai usar. Dito isso, vamos à receita.

Lave as jabuticabas em água corrente para retirar ciscos e folhas. Disponha-nas em uma panela de cobre, aço ou ferro esmaltado, com tamanho suficiente para acondicioná-las ficando cheia só até a metade. Adicione água até quase cobri-las e leve ao fogo.

As jabuticabas vão espumar, estourar e produzir um suco num tom bem vivo de roxo. Para saber se o suco apurou o suficiente, verifique com o auxílio de uma escumadeira se ainda há frutas inteiras. Se só restarem cascas vazias e caroços, está bom.

Desligue o fogo. Em uma peneira grossa, coe o conteúdo da panela, pressionando um pouco com a escumadeira. Agora, meça a quantidade de líquido obtido. Você vai usar metade desse volume de açúcar. Ou seja - para 4 xícaras de suco, use 2 xícaras de açúcar. A quantidade de caldo de limão também segue essa lógica: para cada 2 xícaras de suco, acrescente o caldo de meio limão.

Leve tudo ao fogo novamente, mexendo com uma colher de pau até o líquido adquirir uma consistência próxima da do mel. Se estiver em dúvida, faça o teste: mergulhe as costas de uma colher de metal na geleia e, com cuidado, passe o dedo no meio. Se a geleia não escorrer, está bom.

É muito importante não deixar a geleia no fogo além da conta. Como a jabuticaba tem muita pectina, há o risco de a geleia ficar dura demais quando esfriar.

Acondicione a geleia em vidros esterilizados e deixe esfriar antes de tampar (com tampas igualmente esterilizadas). Como toda geleia, dura bastante tempo. Eu prefiro conservar na geladeira depois de aberta.

Ah, esqueci de avisar: misture a geleia antes de servir para ela ficar mais fluida e fácil de espalhar.

Bolo de chocolate branco e limão siciliano

domingo, 9 de outubro de 2016

Outro dia postei aqui uma receita incrível de barrinhas de chocolate branco e limão. Chegou a fazê-las? São incrivelmente deliciosas. Eu adorei a receita e adicionei ao meu repertório alegremente. Mas devo confessar que aquilo ainda não era o que eu procurava. Eu queria bolo, gente. Um bolo com aquele gosto, mas bem fofo e úmido.

Depois de muitos testes desanimadores de receitas de bolos de chocolate branco, confesso que já tinha desistido. Foi quando me deu um estalo - e se eu procurasse uma receita de bolo que usasse chocolate escuro derretido e tentasse adaptá-la?

Foi o que eu fiz. Como referência, usei uma receita da Luciana Lobo, chef chocolatière porreta, prima da musa Rita Lobo. Virei, mexi e cheguei à receita abaixo.

O resultado? O MELHOR BOLO DE CHOCOLATE BRANCO E LIMÃO. Sério. O melhor. É certamente um dos melhores bolos que eu já comi na vida.

Desde que me tornei mãe, tenho dado preferência a receitas que são o oposto dessa: pouco trabalho, pouca louça suja e o mínimo de barulho possível. Mas, de vez em quando, preparar uma receita um tiquinho mais trabalhosa é um ritual prazeroso - quase uma forma de meditação. E quando o resultado compensa tanto, tudo que eu posso dizer é: arranje um tempo sossegado e prepare. Você merece esse carinho.

Bolo de chocolate branco e limão - inteiro
Receita livremente adaptada daqui

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Ingredientes:

3 ovos grandes (gemas separadas das claras)
125 g de manteiga amolecida
125 g de chocolate branco em barra, picadinho (eu usei tanto em barra quanto em gotas)
100 g de açúcar refinado
60 g de farinha de trigo
Raspas da casca de 1 limão siciliano

Cobertura:
60 g de açúcar impalpável
1 colher (sopa) de suco de limão coado, espremido na hora
Raspas da casca de meio limão siciliano (opcional)
Rodelas de limão siciliano para decorar (opcional)

Modo de preparo:

Preaqueça o forno a 190ºC. Prepare uma forma retangular de bolo inglês de 21 x 11 cm: unte-a com manteiga e forre-a com papel-manteiga, deixando sobras nas laterais.

Leve uma panelinha com um pouco de água ao fogo médio. Ela servirá de base para o banho-maria.

Coloque a manteiga amolecida em uma tigelinha e misture bem, com uma colher, até que ela fique lisa e cremosa.

Acomode o chocolate branco em uma tigela média de vidro ou de inox e coloque sobre a panela com água fervente, sem deixar a água tocar o fundo da tigela (o vapor da água deve ser a fonte de calor). Mexa de vez em quando até o chocolate branco derreter. Deixe esfriar em temperatura ambiente.

Na tigela em que o chocolate foi derretido, junte a manteiga e misture com uma espátula de silicone até ficar uniforme. Reserve (e não se preocupe se a manteiga se separar do chocolate, é só misturar novamente antes de usar).

Na tigela da batedeira, junte o açúcar e as gemas e bata até obter uma gemada esbranquiçada. Adicione a mistura de manteiga com chocolate branco e as raspas de limão e bata até ficar bem homogêneo. Transfira a massa batida para uma tigela grande.

Lave e seque bem a tigela da batedeira e o batedor de arame. Agora, utilize-os para bater as claras em neve até formar picos firmes.

Incorpore ⅓ das claras em neve à massa e misture delicadamente com uma espátula de silicone em movimentos circulares de baixo para cima. Repita o procedimento até que as claras estejam totalmente incorporadas.

Peneire a farinha de trigo sobre a massa e misture delicadamente com uma espátula de silicone até que não haja mais vestígios.

Transfira a massa para a forma preparada. Leve ao forno preaquecido e deixe assar até que o bolo passe no teste do palito (eu começaria a testar por volta de 30-35 minutos). Retire-o do forno e deixe esfriar completamente em uma grade.

Prepare então o glacê: basta misturar o suco de limão com o açúcar impalpável, mexendo bem até ficar lisinho. Se ficar muito grosso, acrescente mais gotinhas de suco. Se ficar muito ralo, adicione um tiquinho mais de açúcar impalpável.

Quando o bolo estiver frio, desenforme-o no prato de servir e cubra-o com o glacê. Se quiser, decore com raspinhas e rodelas de limão. O glacê vai ficar durinho e lindo quando secar. Mas, se não quiser, não precisa esperar tanto, glacê molinho também é bom.

Bolo de chocolate branco e limão - fatia

Observações finais:

* A receita também dá certo com chocolate em barra de comer. Só não use cobertura, por favor!

* Se quiser, derreta o chocolate no micro-ondas (eu acho até mais fácil). Lembre-se de usar intervalos curtos (no máximo 30 segundos) e potência média. O meu se resolveu com 2 sessões de 30 segundos.

* Os bolinhos das fotos foram assados em panibois, forminhas francesas de madeira super charmosas. Elas vão ao forno, são reutilizáveis e não, eu não sei onde comprá-las aqui no Brasil. Reaproveitei as forminhas dos bolos que comprei no Lá em Casa Cuisine D'Amis (os que despertaram a minha obsessão).

* Se eu continuarei comprando os bolinhos do Lá em Casa tendo chegado a esta receita? Claro que sim. Como eu já devo ter contado, minhas sessões de baking só começam depois que a casa aquietou - ou seja, por volta das 23h. Assim, por mais que eu ame fazer bolos, não é algo que eu aguente fazer sempre (ainda mais quando a receita envolve muitos passos, tigelas e colheres). Mas gosto da segurança de que não vou precisar ficar privada desse sabor divino durante o recesso de fim de ano, por exemplo. É como massa folhada. Dá pra fazer em casa? Em teoria, dá. Mas se alguém fabrica uma muito boa, eu prefiro comprar.

Quinoa doce

sábado, 1 de outubro de 2016

Sempre gostei de papas, mingaus e sobremesas nesse mesmo espírito - cremosas, quentinhas e reconfortantes. Amo arroz-doce, canjica, curau, mingau de tapioca, de maizena, de aveia... mas nunca havia testado fazer com quinoa em grãos.

A oportunidade surgiu quando preparei quinoa marroquina (eu preparo separo em porções e congelo para as marmitas e jantares corridos - AMO). Acabei me empolgando e cozinhando mais quinoa do que o necessário. Acabei com 1 xícara de quinoa cozida em água levemente salgada e nenhuma vontade de aproveitá-la em outra receita salgada. Dei uma fuçada na internet e achei uma receita da Pati Bianco que me deu a inspiração que faltava.

Ficou pronto num instantinho, super cremoso e tão gostoso! Mesmo cozida, a quinoa engrossa o creme lindamente. Se você curte mingau e quinoa, dê uma chance a essa delicinha!

Quinoa doce
Receita livremente adaptada daqui 

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Ingredientes: 

1 banana bem madura, amassada
2 colheres (sopa) de água
1 colher (chá) de ghee ou manteiga sem sal
1 xícara de quinoa cozida em água levemente salgada
1 xícara de leite desnatado (ou do seu leite vegetal preferido)
Canela em pó, a gosto
O seu adoçante preferido, a gosto (eu usei xilitol, mas você pode usar o que quiser - inclusive açúcar)

Modo de preparo:

Numa panela de fundo grosso, leve a banana amassada e a água ao fogo baixo, mexendo bem com uma colher de pau até ficar uniforme. Acrescente a manteiga, mexa até derreter e acrescente a quinoa. Misture rapidamente e adicione o leite. A partir daí, mexa constantemente com um fouet até engrossar.

Adicione a canela, o adoçante preferido, misture bem e prove. Quando estiver cremoso e doce do tanto que você gosta, desligue o fogo.

Sirva quente ou morno em cumbuquinhas com mais canela e rodelas de banana, se quiser.

Observações finais:

- Fiz com leite desnatado e adoçante porque peguei MUITO pesado nas férias e agora estou procurando dar uma maneirada. Se você não precisa pegar leve, pode usar leite integral e açúcar, numa boa. Não curte refinados? Use açúcar mascavo, mel, melado ou rapadura e ganhe de brinde um gostinho a mais.

- Não toma leite de vaca por algum motivo? Não tem problema. Use o seu leite vegetal preferido.

- E essa manteiguinha marota? Ela estava na receita original (em maior quantidade) e eu achei que emprestaria untuosidade e uma pegada mais 'arroz-doce' para o mingauzinho. Achei bem bom, mas não creio que vá fazer uma enorme diferença se tirar.

- Não curte banana? Pode tirar. Ela está aí para deixar mais docinho e colaborar na textura, mas não é essencial. Aliás, o que precisa ter é leite, quinoa e alguma fonte de doçura. E as suas especiarias preferidas.

Bolo de maracujá com sementes de papoula

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Já contei antes, mas vale a pena relembrar: o primeiro blog em língua portuguesa com que tive contato foi o Trem Bom, da querida Valentina, há bons 10 anos. Desde então, é um dos meus preferidos. As receitas, as viagens, as imagens e textos, tudo é incrivelmente poético e me transporta a uma bolha de calma e contemplação.

Inacreditavelmente, eu ainda não havia publicado aqui nenhuma receita de lá. Aproveitei o feriado de 7 de setembro para corrigir essa falta. E em grande estilo: com um bolo de maracujá perfumado e lindo. Queria muito ter água de flor de laranjeira para perfumar minha calda, mas mesmo assim ficou delicioso, muito fofo, com massa de sabor suave e calda densa e azedinha, quase como uma geleia.

Como a polpa de maracujá que tenho no freezer é coada e sem sementes, tive que compensar a falta de croc-croc da massa com sementes de papoula. Ficou incrível.

Bolo de maracujá Trem Bom
Receita adaptada daqui

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Ingredientes:

220 g de manteiga sem sal em temperatura ambiente
220 g de açúcar refinado
3 ovos grandes em temperatura ambiente
300 g de farinha de trigo comum
1 colher (chá) de bicarbonato de sódio
1 colher (chá) de fermento em pó
160 ml de buttermilk*
80 ml de polpa de maracujá (pode ser com sementes)
2 colheres (sopa) de sementes de papoula (opcional, só se a polpa de maracujá que você usar não tiver sementes)

Calda:
250 ml de água fervente
1 saquinho de chá de hortelã (usei de erva-cidreira porque o de hortelã tinha acabado)
125 ml de polpa de maracujá (pode ser com ou sem sementes)
Açúcar a gosto - fiz com 100 g de açúcar
1 colher (chá) de água de flor de laranjeira (deve ficar delicioso, mas eu não tinha em casa)

Modo de preparo:

Preaqueça o forno a 180ºC. Unte caprichosamente com manteiga e polvilhe com farinha uma forma de anel com capacidade para 10 xícaras de massa (eu pincelei a forma com desmoldante caseiro). Reserve.

Com a batedeira equipada com o batedor em forma de raquete, bata a manteiga com o açúcar por 5 minutos, em velocidade média, até obter um creme fofo e branco. Acrescente os ovos, um a um, batendo bem a cada adição.

Com a batedeira em velocidade lenta, adicione, a mistura de farinha em três vezes, intercalando com o buttermilk, em duas vezes. Desligue a batedeira, raspe as laterais da tigela com uma espátula de silicone e adicione o suco de maracujá e as sementes de papoula. Incorpore delicadamente.

Transfira a massa para a forma preparada e leve ao forno até que o bolo passe no teste do palito (comece a testar com uns 40 minutos de forno).

Enquanto o bolo está no forno, pode preparar a calda. Deixe o saquinho de chá em infusão na água fervente por 5 minutos. Descarte o saquinho e coloque o chá em uma panela, junto com o açúcar e a polpa de maracujá. Leve ao fogo, mexendo até ferver e o açúcar dissolver. Abaixe então o fogo e deixe a calda reduzir à metade do volume, mexendo ocasionalmente (demora bastante, viu - acho que precisei de 30 minutos). Retire a calda do fogo, acrescente a água de flor de laranjeira, mexa bem e deixe esfriar.

Depois que retirar o bolo do forno, deixe-o esfriar na forma por, pelo menos, 15 minutos - eu deixei por mais de 1 hora. Desenforme no prato de servir ainda quente e cubra com a calda fria.

Bolo de maracujá Trem Bom

Observações finais:

A Tina deu uma dica interessante: bolo quente, calda fria. Calda quente, bolo frio. Assim, a calda flui com mais facilidade sobre o bolo (se bolo e calda estão quentes, ela é sugada pela massa e não fica bonita. Se os dois estão frios, ela não espalha direito).

Eu não tinha buttermilk nem iogurte em casa, mas tinha soro de iogurte. Fiz então uma mistura de 100 ml de leite e 60 ml de soro de iogurte, que deixei descansar na pia por 1 hora antes de usar.

Barrinhas de chocolate branco e glacê de limão

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Manter este blog me faz aprender muito, todos os dias - novas técnicas, novas habilidades, novas combinações de sabores, novas preferências. Mas também me deixa meio 'besta' - tem sido cada vez mais frequente eu provar algo na rua e pensar "hum, isso eu faço melhor na minha cozinha".

Por isso, quando eu encontro fora de casa alguma comidinha que me desperte a atenção, eu fico completamente obcecada. Foi o caso de um bolo de chocolate branco e limão que provei no Lá em Casa Cuisine, um traiteur* incrível que fica pertinho da minha casa. Sério: eu não consigo manter a compostura diante dele. A textura rica do chocolate branco, a leveza do limão, a combinação perfeita de doce e azedo, gente, não dá pra explicar.

Daí que eu comecei a pesquisar por aí por receitas que pudessem reproduzir a delícia da dobradinha do chocolate branco com o limão. Caí em uma promissora receita do David Lebovitz. Qualquer receita que ele dá é, no mínimo, o máximo. E essas barrinhas não foram diferentes.

De textura, lembram um bom brownie fudgy. De sabor, lembram muito o bolo (ou seja - são maravilindas). O preparo é muito fácil e elas ficam tão bonitas...

Se eu fosse você, faria uma fornada dessas belezinhas hoje mesmo. E, desde já, de nada ;-)

Brownies de chocolate branco e limãoReceita minimamente adaptada daqui

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Ingredientes:

150 g de manteiga sem sal, em cubos (usei com sal)
170 g de chocolate branco picado
1 pitada de sal (omiti)
Raspas de um limão (a receita original pede siciliano, mas eu quis usar tahiti)
150 g de açúcar
2 ovos grandes, em temperatura ambiente
150 g de farinha

Para o glacê de limão:
120 g de açúcar de confeiteiro (usei impalpável)
2 colheres (sopa) de suco de limão espremido na hora (a receita original pede siciliano, mas eu quis usar tahiti)
Opcional - mais raspas de limão para decorar

Modo de preparo:

Preaqueça o forno a 190ºC. Unte uma assadeira quadrada de 20 cm com manteiga e forre fundo e laterais com papel manteiga, deixando sobrar 5 cm para fora (eles vão servir como 'alças' mais adiante).

Derreta o chocolate e a manteiga em banho-maria (eu levei os dois juntos ao fogo bem baixinho, numa panela de fundo grosso, mexendo sempre, até derreter, afastando do calor a qualquer sinal de superaquecimento). Acrescente as raspas de limão e misture bem. É possível que a mistura não esteja com uma cara muito homogênea, com a manteiga líquida meio separada do chocolate derretido. Não se preocupe, é assim mesmo. Retire do fogo e deixe amornar.

Em uma tigela média, com o auxílio de um fouet, bata os ovos com o açúcar até espumar. Em seguida, acrescente a mistura de chocolate branco derretido, mexendo bem até ficar uniforme. Adicione então a farinha, misturando delicadamente com uma espátula de silicone até que ela fique incorporada à massa (cuidado para não mexer demais).

Verta a massa na forma preparada e leve ao forno por 30 a 35 minutos, até que um palito inserido no centro do... ahn... bolo (vamos chamá-lo assim) saia limpo.

Retire a forma do forno e deixe esfriar um pouco sobre uma grade. Assim que estiver mais fria, segure as 'alças' de papel manteiga e remova o bolo. Vire-o sobre um prato grande, remova o papel manteiga do fundo e desvire-o sobre a grade. Deixe esfriar completamente.

Prepare então o glacê: em uma tigelinha, combine o suco de limão e o açúcar até obter um creme ralo e homogêneo. Com o auxílio de uma colher, derrame-o delicadamente sobre o bolo. Espalhe a cobertura com uma espátula de confeiteiro ou faquinha pra passar patê. Se quiser, rale por cima um pouquinho de casca de limão tahiti para dar um toque aromático e verdinho.

Quando o glacê ficar durinho, corte o bolo em 9 ou mais pedaços.

Observação final:

Tô phyna, né, mandando um francês logo no segundo parágrafo. Eu explico: traiteur é o que a gente conhece em português como tratoria - um estabelecimento que vende pratos prontos pra gente fazer a festa em casa. Além do bolo divino de chocolate branco com limão, o Lá em Casa tem tortas salgadas deliciosas, a melhor mousse de chocolate de vida e um monte de outras delícias francesas. Se você for de Brasília, recomendo demais dar um pulo lá. E não, não estou recebendo nadinha por falar bem deles. Eu realmente sou fã de carteirinha.

Galinhada da Rita Lobo

sábado, 17 de setembro de 2016

Todo dia, enquanto dirijo de volta para casa com as crianças, procuro saber como foi o seu dia na escola fazendo um monte de perguntas: "hoje teve balé?", "o que você gostou de desenhar?", "qual foi a brincadeira mais legal?", "qual foi a comidinha mais gostosa que você comeu?". À última pergunta, Alice normalmente responde "Nadinha", para minha tristeza (e das nutricionistas da escola). A coisa só muda de figura quando é dia de 'arroz amarelo' - também conhecido como galinhada.

Sabendo do gosto da pequena por esse prato, quis prepará-lo em casa. Sabia que a Rita Lobo havia feito galinhada em um episódio do Cozinha Prática e fui atrás da receita. Pareceu tão simples que reproduzi de memória, adaptando quantidades e acrescentando meus pitacos. Gabriel e minha mãe aprovaram. Já a Alice... :-/

Galinhada da Rita Lobo
Receita livremente adaptada daqui

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Ingredientes:

2 fios de azeite
1 filé de peito de frango cortado em cubinhos de 1 cm
1 cebola média picadinha
2 dentes de alho picadinhos
1/4 de colher (chá) de cúrcuma em pó
1/4 de colher (chá) de cominho em pó
1 pitada de páprica picante
1 xícara de arroz branco cru
Suco de 1/2 limão espremido na hora
1 cenoura média ralada no ralo fino
1 xícara de milho verde (pode ser em conserva, fresco ou congelado)
2 1/2 xícaras de água quente
1 colher (chá) de sal
2 tomates sem sementes, em cubinhos
Salsinha e cebolinha a gosto ao servir

Modo de preparo:

Numa panela média, aqueça um fio de azeite. Doure os cubinhos de frango (faça em duas levas, pelo menos, para que os cubinhos de frango fiquem dourados e suculentos, e não cozidos e borrachentos). Retire o frango da panela e reserve num prato.

Na sequência, acrescente mais um fio de azeite e doure a cebola, seguida do alho e das especiarias. Some então o arroz e deixe refogar por um minuto. Acrescente o suco de limão e misture com uma colher de pau para 'descolar' os restinhos do fundo da panela. Adicione a cenoura e o milho, devolva o frango à panela e misture tudo muito bem. Junte a água quente e o sal, mexa e prove - acerte o tempero, se achar necessário.

Abaixe o fogo e deixe o arroz cozinhar com a panela semitampada até quase secar. Quando isto acontecer, apague o fogo, acrescente o tomate picado, misture delicadamente e tampe a panela. Deixe descansar por 5 minutos.

Transfira a galinhada para a travessa de servir. Ou, para um esquema mais autêntico, deixe na panela mesmo e salpique cheiro verde picado por cima. Para acompanhar, eu iria de couve à mineira, mas vale uma saladinha verde.

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