Bolo de carne da minha mãe

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Esta receita é bem antiga - de um tempo em que minha mãe ainda comia carne vermelha (ponha aí uns 30 anos ou mais). E, para mim, tem um gosto tão bom de infância, de comida caseira, que eu quis compartilhar com vocês.

Como toda receita da minha mãe, ela é bem flexível. Quer misturar pimentão ou azeitona picada à carne? Pode. Quer rechear o bolo com ovos cozidos, com linguiça calabresa defumada, com queijo ou com vegetais cozidos? Pode também. Quer fazer sem bacon? Eu não entendo você, mas pode fazer. Quer trocar o pão moído por aveia em flocos finos? Por que não? Quer servir com molho de tomate e derreter um queijinho por cima? Opa!

Receita de deixar sempre à vista, na porta da geladeira. Vá por mim ;-)


Bolo de carne da mamãe
Receita adaptada da original da mamãe :-)

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O blog velhinho (ou seja, este aqui) será desativado definitivamente em 31/12/2019.

Ingredientes:

500 g de carne moída (eu uso patinho moído duas vezes)
1 colher (chá) de sal
Pimenta-do-reino moída na hora a gosto
1 ovo
1/4 de xícara de pão moído
14 de xícara de leite (uso desnatado porque é o que está sempre à mão)
2 colheres (sopa) de cebola picadinha
1 colher (chá) de salsinha picada
1 colher (sopa) de pimentão picadinho 
1/2 cenoura cortada em palitos, cozida, para rechear
250 g de bacon fatiado

Modo de preparo:

Preaqueça o forno a 180ºC. 

Em uma tigela grande, misture todos os ingredientes (menos o bacon e a cenoura do recheio) até ficar bem homogêneo.

Corte um pedaço grande de papel alumínio e coloque sobre a bancada. Bem no meio dele, coloque metade da mistura de carne, formando um retângulo. Com o dedo, faça uma depressão ao longo do bolo e acomode o recheio. Cubra com o restante da mistura de carne, modelando até ficar com o formato aproximado de um pão.

Agora é hora de cobrir o bolo de carne com as fatias de bacon. Você pode cobrir apenas o topo dele, guardando o restante do bacon para outro uso. Ou pode pirar no bacon e cobrir tudo. É simples: basta cobrir o topo e, com o auxílio do papel alumínio, rolar o bolo delicadamente até expor a parte não-coberta. Aí, é só cobri-la com o restante do bacon, tomando o cuidado de prender as pontas das fatias umas sob as outras.

Com o bolo de carne bem centralizado no papel alumínio, acomode-o em uma forma de bolo inglês de 21 cm X 11 cm ou em uma assadeira. Sim, você vai levá-lo ao forno sobre o papel alumínio onde ele foi modelado. Isso ajuda muito na hora de desenformar.

Leve o bolo de carne ao forno por 1 hora. Ele solta muito líquido ao longo do cozimento. Assim, se usar a forma de bolo inglês, é bom retirá-la do forno aos 20 e aos 40 minutos, descartar o excesso de líquido na pia e colocá-la de voltar para assar.

Quando o bolo estiver pronto, retire-o do forno e deixe-o descansar por 15 minutos antes de desenformar e fatiar. Sirva com macarronada ao sugo, purê de batatas ou qualquer outro acompanhamento reconfortante.

Observação final:

Se optar por não usar bacon, é bom untar o papel alumínio e pincelar o bolo de carne com manteiga derretida antes e durante o cozimento. Assim, ele mantém a umidade e fica mais douradinho.

Bolo de chocolate francês

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Já contei aqui que, para desenvolver a receita do bolo de chocolate branco e limão de alguns posts atrás, usei como referência um bolo de chocolate francês da Luciana Lobo, né. Pois é. Enquanto saboreava uma fatia daquele bolinho cítrico tão delícia, relembrei as palavras da vovó: o fruto não cai longe da árvore. O bolo de chocolate escuro devia ser tão bom quanto o clarinho.

Eu não estava errada. O tal bolo de chocolate francês fica muito leve, fofo e super chocolatudo. É pouco doce - um perigo, pois dá para comer muitas fatias seguidas.

Faça já para o seu chá da tarde. E se pretender servir este bolo para crianças ou para paladares infantis, capriche ao polvilhar açúcar de confeiteiro ou use chocolate meio amargo (uns 50% de teor de cacau já está bom).


Receita daqui

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Ingredientes:

3 ovos
170g de manteiga sem sal amolecida
125g de chocolate meio amargo (eu usei um amargo, com 73,5% de teor de cacau)
135g de açúcar
60g de farinha de trigo
1 pitada de sal

Açúcar de confeiteiro para polvilhar

Modo de preparo:

Preaqueça o forno a 190ºC. Prepare uma forma retangular de bolo inglês de 21 x 11 cm: unte-a com manteiga e forre-a com papel-manteiga, deixando sobras nas laterais.

Leve uma panelinha com um pouco de água ao fogo médio. Ela servirá de base para o banho-maria.

Coloque a manteiga amolecida em uma tigelinha e misture bem, com uma colher, até que ela fique lisa e cremosa.

Acomode o chocolate em uma tigela média de vidro ou de inox e coloque sobre a panela com água fervente, sem deixar a água tocar o fundo da tigela (o vapor da água deve ser a fonte de calor). Mexa de vez em quando até o chocolate derreter. Deixe esfriar em temperatura ambiente.

Na tigela em que o chocolate foi derretido, junte a manteiga e misture com uma espátula de silicone até ficar uniforme. Reserve.

Na tigela da batedeira, junte o açúcar e as gemas e bata até obter uma gemada esbranquiçada. Adicione a mistura de manteiga com chocolate e bata até ficar bem homogêneo. Transfira a massa batida para uma tigela grande.

Lave e seque bem a tigela da batedeira e o batedor de arame. Agora, utilize-os para bater as claras em neve até formar picos firmes.

Incorpore ⅓ das claras em neve à massa e misture delicadamente com uma espátula de silicone em movimentos circulares de baixo para cima. Repita o procedimento até que as claras estejam totalmente incorporadas.

Peneire a farinha de trigo sobre a massa e misture delicadamente com uma espátula de silicone até que não haja mais vestígios.

Transfira a massa para a forma preparada. Leve ao forno preaquecido e deixe assar até que o bolo passe no teste do palito (eu começaria a testar por volta de 30-35 minutos). Retire-o do forno e deixe esfriar completamente em uma grade.

Antes de servir, desenforme-o com o auxílio das sobras de papel-manteiga. Remova o papel, coloque no prato de bolo e polvilhe com uma camada de açúcar de confeiteiro.

E já que foi World Bread Day...

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Em tempos em que a gente se sente compelido a temer glúten, gordura, açúcar; a questionar se um alimento é transgênico, integral, orgânico; a tentar medir a pegada de carbono que nossas escolhas alimentares deixam... dá saudade da infância e do prazer sem culpa de um bom pão doce. 


Pão doce
(Carlos Sandroni)

Não adianta mentir pra mim mesma
Ficar me enganando, tentando dizer
Que nunca na vida, nunca na vida eu gostei de pão doce
Porque por mais que eu queira esconder
A verdade é que eu adorava pão doce
Não podia passar sem pão doce
Bastava ver padaria, que logo eu ia, que logo eu ia comprar

Não adianta mentir pra mim mesma
Porque no fundo, porque no fundo eu sei muito bem
Que essa história toda de não comer açúcar
Que essa história toda de não comer pão branco
Que essa história toda de viver de mel e pão integral
Isso tudo só foi começar muito depois
Depois de um tempo em que eu era
Tão completamente ingênua
Tão sem força de vontade
Que as doces delicadezas
De qualquer guloseima
Lânguidas me seduziam
E minha língua sofria
De incontrolável fascínio
Por cremes dourados
E frutas cristalizadas
Feito rubis incrustadas
Nas crostas crocantes dos pães

Mas hoje
Hoje tudo é diferente
Se eu olho pr'uma padaria, me ponho cismando, chego a duvidar
Como é que pôde um dia
Eu ter entrado tanto lá!...
Porque por mais que eu queira, mais que eu queira
Mentir pra mim mesma
Ficar me enganando, tentando dizer
Que nunca na vida, nunca na vida eu gostei de pão doce
Fazendo um exame detido, sendo sincera, eu tenho que admitir
Que a verdade, meus amigos
(pelo menos no que tange a trigos)
A verdade no duro, doa a quem doer
A verdade é que eu adorava pão doce
A verdade é que eu adorava pão doce
A verdade é que eu adorava pão doce

Geleia de jabuticaba

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Este ano, precisei assumir uma verdade dolorosa a meu respeito: eu não tenho maturidade diante de jabuticabas. Eu as como do mesmo jeito que comia na infância - até doer. Para mim, não existe isso de comer 5, 8 jabuticabas. Eu como dezenas, literalmente.

O problema é que eu já não tenho o metabolismo da menina que subia em jabuticabeiras e comia as frutinhas direto do pé. O ponteiro da balança logo  acusou os excessos de jabuticaba. Pensei em dar as frutas que me sobravam a outra pessoa, mas quem disse? A menina escaladora de árvores que habita o meu ser deu birra e eu acabei não conseguindo.

Resolvi então usar as jabuticabas em uma receita. E me decidi por geleia - como é bem doce, eu acabo comendo pouquinho. Fiz a receita da Rosaly Senra, uma fera em quitandas e outras gostosuras de Minas Gerais.

Gente, simples demais de fazer. E deliciosa. É uma ótima opção para quem está com jabuticabeiras carregadas e não dá conta de comer tudo. Ou, ainda, para quem não sabe lidar com o próprio apetite diante das amadas frutinhas. :-\

Geleia de jabuticaba
Receita adaptada daqui

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Ingredientes:

Jabuticabas maduras e frescas
Água filtrada quanto baste
Açúcar quanto baste
Limão quanto baste

Modo de preparo:

Sei que muita gente tem nervoso de receita com quantidades vagas - pior ainda, com "quanto baste". Mas eu explico: a quantidade desses ingredientes depende da quantidade de suco de jabuticaba que você vai obter. Que, por sua vez, depende da quantidade de jabuticabas que você vai usar. Dito isso, vamos à receita.

Lave as jabuticabas em água corrente para retirar ciscos e folhas. Disponha-nas em uma panela de cobre, aço ou ferro esmaltado, com tamanho suficiente para acondicioná-las ficando cheia só até a metade. Adicione água até quase cobri-las e leve ao fogo.

As jabuticabas vão espumar, estourar e produzir um suco num tom bem vivo de roxo. Para saber se o suco apurou o suficiente, verifique com o auxílio de uma escumadeira se ainda há frutas inteiras. Se só restarem cascas vazias e caroços, está bom.

Desligue o fogo. Em uma peneira grossa, coe o conteúdo da panela, pressionando um pouco com a escumadeira. Agora, meça a quantidade de líquido obtido. Você vai usar metade desse volume de açúcar. Ou seja - para 4 xícaras de suco, use 2 xícaras de açúcar. A quantidade de caldo de limão também segue essa lógica: para cada 2 xícaras de suco, acrescente o caldo de meio limão.

Leve tudo ao fogo novamente, mexendo com uma colher de pau até o líquido adquirir uma consistência próxima da do mel. Se estiver em dúvida, faça o teste: mergulhe as costas de uma colher de metal na geleia e, com cuidado, passe o dedo no meio. Se a geleia não escorrer, está bom.

É muito importante não deixar a geleia no fogo além da conta. Como a jabuticaba tem muita pectina, há o risco de a geleia ficar dura demais quando esfriar.

Acondicione a geleia em vidros esterilizados e deixe esfriar antes de tampar (com tampas igualmente esterilizadas). Como toda geleia, dura bastante tempo. Eu prefiro conservar na geladeira depois de aberta.

Ah, esqueci de avisar: misture a geleia antes de servir para ela ficar mais fluida e fácil de espalhar.

Bolo de chocolate branco e limão siciliano

domingo, 9 de outubro de 2016

Outro dia postei aqui uma receita incrível de barrinhas de chocolate branco e limão. Chegou a fazê-las? São incrivelmente deliciosas. Eu adorei a receita e adicionei ao meu repertório alegremente. Mas devo confessar que aquilo ainda não era o que eu procurava. Eu queria bolo, gente. Um bolo com aquele gosto, mas bem fofo e úmido.

Depois de muitos testes desanimadores de receitas de bolos de chocolate branco, confesso que já tinha desistido. Foi quando me deu um estalo - e se eu procurasse uma receita de bolo que usasse chocolate escuro derretido e tentasse adaptá-la?

Foi o que eu fiz. Como referência, usei uma receita da Luciana Lobo, chef chocolatière porreta, prima da musa Rita Lobo. Virei, mexi e cheguei à receita abaixo.

O resultado? O MELHOR BOLO DE CHOCOLATE BRANCO E LIMÃO. Sério. O melhor. É certamente um dos melhores bolos que eu já comi na vida.

Desde que me tornei mãe, tenho dado preferência a receitas que são o oposto dessa: pouco trabalho, pouca louça suja e o mínimo de barulho possível. Mas, de vez em quando, preparar uma receita um tiquinho mais trabalhosa é um ritual prazeroso - quase uma forma de meditação. E quando o resultado compensa tanto, tudo que eu posso dizer é: arranje um tempo sossegado e prepare. Você merece esse carinho.

Bolo de chocolate branco e limão - inteiro
Receita livremente adaptada daqui

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Ingredientes:

3 ovos grandes (gemas separadas das claras)
125 g de manteiga amolecida
125 g de chocolate branco em barra, picadinho (eu usei tanto em barra quanto em gotas)
100 g de açúcar refinado
60 g de farinha de trigo
Raspas da casca de 1 limão siciliano

Cobertura:
60 g de açúcar impalpável
1 colher (sopa) de suco de limão coado, espremido na hora
Raspas da casca de meio limão siciliano (opcional)
Rodelas de limão siciliano para decorar (opcional)

Modo de preparo:

Preaqueça o forno a 190ºC. Prepare uma forma retangular de bolo inglês de 21 x 11 cm: unte-a com manteiga e forre-a com papel-manteiga, deixando sobras nas laterais.

Leve uma panelinha com um pouco de água ao fogo médio. Ela servirá de base para o banho-maria.

Coloque a manteiga amolecida em uma tigelinha e misture bem, com uma colher, até que ela fique lisa e cremosa.

Acomode o chocolate branco em uma tigela média de vidro ou de inox e coloque sobre a panela com água fervente, sem deixar a água tocar o fundo da tigela (o vapor da água deve ser a fonte de calor). Mexa de vez em quando até o chocolate branco derreter. Deixe esfriar em temperatura ambiente.

Na tigela em que o chocolate foi derretido, junte a manteiga e misture com uma espátula de silicone até ficar uniforme. Reserve (e não se preocupe se a manteiga se separar do chocolate, é só misturar novamente antes de usar).

Na tigela da batedeira, junte o açúcar e as gemas e bata até obter uma gemada esbranquiçada. Adicione a mistura de manteiga com chocolate branco e as raspas de limão e bata até ficar bem homogêneo. Transfira a massa batida para uma tigela grande.

Lave e seque bem a tigela da batedeira e o batedor de arame. Agora, utilize-os para bater as claras em neve até formar picos firmes.

Incorpore ⅓ das claras em neve à massa e misture delicadamente com uma espátula de silicone em movimentos circulares de baixo para cima. Repita o procedimento até que as claras estejam totalmente incorporadas.

Peneire a farinha de trigo sobre a massa e misture delicadamente com uma espátula de silicone até que não haja mais vestígios.

Transfira a massa para a forma preparada. Leve ao forno preaquecido e deixe assar até que o bolo passe no teste do palito (eu começaria a testar por volta de 30-35 minutos). Retire-o do forno e deixe esfriar completamente em uma grade.

Prepare então o glacê: basta misturar o suco de limão com o açúcar impalpável, mexendo bem até ficar lisinho. Se ficar muito grosso, acrescente mais gotinhas de suco. Se ficar muito ralo, adicione um tiquinho mais de açúcar impalpável.

Quando o bolo estiver frio, desenforme-o no prato de servir e cubra-o com o glacê. Se quiser, decore com raspinhas e rodelas de limão. O glacê vai ficar durinho e lindo quando secar. Mas, se não quiser, não precisa esperar tanto, glacê molinho também é bom.

Bolo de chocolate branco e limão - fatia

Observações finais:

* A receita também dá certo com chocolate em barra de comer. Só não use cobertura, por favor!

* Se quiser, derreta o chocolate no micro-ondas (eu acho até mais fácil). Lembre-se de usar intervalos curtos (no máximo 30 segundos) e potência média. O meu se resolveu com 2 sessões de 30 segundos.

* Os bolinhos das fotos foram assados em panibois, forminhas francesas de madeira super charmosas. Elas vão ao forno, são reutilizáveis e não, eu não sei onde comprá-las aqui no Brasil. Reaproveitei as forminhas dos bolos que comprei no Lá em Casa Cuisine D'Amis (os que despertaram a minha obsessão).

* Se eu continuarei comprando os bolinhos do Lá em Casa tendo chegado a esta receita? Claro que sim. Como eu já devo ter contado, minhas sessões de baking só começam depois que a casa aquietou - ou seja, por volta das 23h. Assim, por mais que eu ame fazer bolos, não é algo que eu aguente fazer sempre (ainda mais quando a receita envolve muitos passos, tigelas e colheres). Mas gosto da segurança de que não vou precisar ficar privada desse sabor divino durante o recesso de fim de ano, por exemplo. É como massa folhada. Dá pra fazer em casa? Em teoria, dá. Mas se alguém fabrica uma muito boa, eu prefiro comprar.

Quinoa doce

sábado, 1 de outubro de 2016

Sempre gostei de papas, mingaus e sobremesas nesse mesmo espírito - cremosas, quentinhas e reconfortantes. Amo arroz-doce, canjica, curau, mingau de tapioca, de maizena, de aveia... mas nunca havia testado fazer com quinoa em grãos.

A oportunidade surgiu quando preparei quinoa marroquina (eu preparo separo em porções e congelo para as marmitas e jantares corridos - AMO). Acabei me empolgando e cozinhando mais quinoa do que o necessário. Acabei com 1 xícara de quinoa cozida em água levemente salgada e nenhuma vontade de aproveitá-la em outra receita salgada. Dei uma fuçada na internet e achei uma receita da Pati Bianco que me deu a inspiração que faltava.

Ficou pronto num instantinho, super cremoso e tão gostoso! Mesmo cozida, a quinoa engrossa o creme lindamente. Se você curte mingau e quinoa, dê uma chance a essa delicinha!

Quinoa doce
Receita livremente adaptada daqui 

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Ingredientes: 

1 banana bem madura, amassada
2 colheres (sopa) de água
1 colher (chá) de ghee ou manteiga sem sal
1 xícara de quinoa cozida em água levemente salgada
1 xícara de leite desnatado (ou do seu leite vegetal preferido)
Canela em pó, a gosto
O seu adoçante preferido, a gosto (eu usei xilitol, mas você pode usar o que quiser - inclusive açúcar)

Modo de preparo:

Numa panela de fundo grosso, leve a banana amassada e a água ao fogo baixo, mexendo bem com uma colher de pau até ficar uniforme. Acrescente a manteiga, mexa até derreter e acrescente a quinoa. Misture rapidamente e adicione o leite. A partir daí, mexa constantemente com um fouet até engrossar.

Adicione a canela, o adoçante preferido, misture bem e prove. Quando estiver cremoso e doce do tanto que você gosta, desligue o fogo.

Sirva quente ou morno em cumbuquinhas com mais canela e rodelas de banana, se quiser.

Observações finais:

- Fiz com leite desnatado e adoçante porque peguei MUITO pesado nas férias e agora estou procurando dar uma maneirada. Se você não precisa pegar leve, pode usar leite integral e açúcar, numa boa. Não curte refinados? Use açúcar mascavo, mel, melado ou rapadura e ganhe de brinde um gostinho a mais.

- Não toma leite de vaca por algum motivo? Não tem problema. Use o seu leite vegetal preferido.

- E essa manteiguinha marota? Ela estava na receita original (em maior quantidade) e eu achei que emprestaria untuosidade e uma pegada mais 'arroz-doce' para o mingauzinho. Achei bem bom, mas não creio que vá fazer uma enorme diferença se tirar.

- Não curte banana? Pode tirar. Ela está aí para deixar mais docinho e colaborar na textura, mas não é essencial. Aliás, o que precisa ter é leite, quinoa e alguma fonte de doçura. E as suas especiarias preferidas.

Bolo de maracujá com sementes de papoula

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Já contei antes, mas vale a pena relembrar: o primeiro blog em língua portuguesa com que tive contato foi o Trem Bom, da querida Valentina, há bons 10 anos. Desde então, é um dos meus preferidos. As receitas, as viagens, as imagens e textos, tudo é incrivelmente poético e me transporta a uma bolha de calma e contemplação.

Inacreditavelmente, eu ainda não havia publicado aqui nenhuma receita de lá. Aproveitei o feriado de 7 de setembro para corrigir essa falta. E em grande estilo: com um bolo de maracujá perfumado e lindo. Queria muito ter água de flor de laranjeira para perfumar minha calda, mas mesmo assim ficou delicioso, muito fofo, com massa de sabor suave e calda densa e azedinha, quase como uma geleia.

Como a polpa de maracujá que tenho no freezer é coada e sem sementes, tive que compensar a falta de croc-croc da massa com sementes de papoula. Ficou incrível.

Bolo de maracujá Trem Bom
Receita adaptada daqui

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Ingredientes:

220 g de manteiga sem sal em temperatura ambiente
220 g de açúcar refinado
3 ovos grandes em temperatura ambiente
300 g de farinha de trigo comum
1 colher (chá) de bicarbonato de sódio
1 colher (chá) de fermento em pó
160 ml de buttermilk*
80 ml de polpa de maracujá (pode ser com sementes)
2 colheres (sopa) de sementes de papoula (opcional, só se a polpa de maracujá que você usar não tiver sementes)

Calda:
250 ml de água fervente
1 saquinho de chá de hortelã (usei de erva-cidreira porque o de hortelã tinha acabado)
125 ml de polpa de maracujá (pode ser com ou sem sementes)
Açúcar a gosto - fiz com 100 g de açúcar
1 colher (chá) de água de flor de laranjeira (deve ficar delicioso, mas eu não tinha em casa)

Modo de preparo:

Preaqueça o forno a 180ºC. Unte caprichosamente com manteiga e polvilhe com farinha uma forma de anel com capacidade para 10 xícaras de massa (eu pincelei a forma com desmoldante caseiro). Reserve.

Com a batedeira equipada com o batedor em forma de raquete, bata a manteiga com o açúcar por 5 minutos, em velocidade média, até obter um creme fofo e branco. Acrescente os ovos, um a um, batendo bem a cada adição.

Com a batedeira em velocidade lenta, adicione, a mistura de farinha em três vezes, intercalando com o buttermilk, em duas vezes. Desligue a batedeira, raspe as laterais da tigela com uma espátula de silicone e adicione o suco de maracujá e as sementes de papoula. Incorpore delicadamente.

Transfira a massa para a forma preparada e leve ao forno até que o bolo passe no teste do palito (comece a testar com uns 40 minutos de forno).

Enquanto o bolo está no forno, pode preparar a calda. Deixe o saquinho de chá em infusão na água fervente por 5 minutos. Descarte o saquinho e coloque o chá em uma panela, junto com o açúcar e a polpa de maracujá. Leve ao fogo, mexendo até ferver e o açúcar dissolver. Abaixe então o fogo e deixe a calda reduzir à metade do volume, mexendo ocasionalmente (demora bastante, viu - acho que precisei de 30 minutos). Retire a calda do fogo, acrescente a água de flor de laranjeira, mexa bem e deixe esfriar.

Depois que retirar o bolo do forno, deixe-o esfriar na forma por, pelo menos, 15 minutos - eu deixei por mais de 1 hora. Desenforme no prato de servir ainda quente e cubra com a calda fria.

Bolo de maracujá Trem Bom

Observações finais:

A Tina deu uma dica interessante: bolo quente, calda fria. Calda quente, bolo frio. Assim, a calda flui com mais facilidade sobre o bolo (se bolo e calda estão quentes, ela é sugada pela massa e não fica bonita. Se os dois estão frios, ela não espalha direito).

Eu não tinha buttermilk nem iogurte em casa, mas tinha soro de iogurte. Fiz então uma mistura de 100 ml de leite e 60 ml de soro de iogurte, que deixei descansar na pia por 1 hora antes de usar.

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